sábado, 26 de agosto de 2017

TEMPO NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO - POR MARCELO LAMBERT


TEMPO NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO, traz uma pequena reflexão sobre a importância de avaliarmos a utilização de nosso TEMPO em nosso cotidiano para a construção de uma vida plena.






MUITA LUZ

Do amigo,

Marcelo Lambert

quarta-feira, 28 de junho de 2017

OCTAVIO PAZ - POR MARCELO LAMBERT

Olá amigos,
O artigo dessa semana trás um pouco da obra de um grande intelectual latino-americano. Tenho certeza que vocês irão gostar e continuar as pesquisas sobre Octavio Paz.

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ÁGUA NOTURNA

A noite de olhos de cavalo que tremem na noite
a noite de olhos de água no campo adormecido,
está nos teus olhos de cavalo que treme,
está nos teus olhos de água secreta.

Olhos de água de sombra,
olhos de água de fonte,
olhos de água de sonho.

O silêncio e a solidão,
como dois animais pequenos que a lua guia,
bebem nesses olhos,
bebem nessas águas.

Se abres os olhos,
abre-se a noite de portas de musgo,
abre-se o reino secreto da água
que emana do centro da noite.

E se os fechas,
um rio, uma corrente doce e silenciosa,
inunda-te por dentro, avança, torna-te obscuro:
a noite molha margens na tua alma.

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VIDA ENTREVISTA

Relâmpagos ou peixes
na noite do mar
e pássaros, relâmpagos
na noite do bosque.

Os ossos são relâmpagos
na noite do corpo.
Ó mundo, tudo é noite
e a vida um relâmpago.

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A CHAMA, A FALA

Num poema leio:
“conversar é divino.“
Porém, os deuses não falam:
Fazem e desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito desce
e desata as línguas,
porém não fala palavras:
fala lume. A linguagem,
pelos deuses acesa,
é uma profecia
de chamas e uma torre
de fumo e um colapso
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem,
os nomes que dizemos,
dizem tempo: dizem-nos.
Somos nomes do tempo.

Mudos também os mortos
pronunciam as palavras
que nós, os vivos, dizemos.
A linguagem é a casa
de todos, a casa suspensa
no flanco do abismo.
Conversar é humano.

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PEDRA NATIVA   

A luz devasta as alturas
Manadas de impérios derrotados
O olho retrocede cercado de reflexos

Vastas terras como a insónia
Pedregais de osso

Outono sem fronteiras
A sede ergue os seus fontanários invisíveis
Uma última pirú prega no deserto

Fecha os olhos e ouve o cântico da luz:
O meio-dia aninha-se no teu ouvido

Fecha os olhos e abre-os:
Não existe nada nem sequer tu mesmo
O que não é pedra é luz

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Indico esse livro - É sensacional 

COLINA DOS ASTROS

Aqui os antigos bebiam o fogo
Aqui o fogo inventava o mundo
Ao meio dia
As pedras abrem-se como frutos
A água abre as pestanas
E a luz desliza pela pele do dia
Gota imensa onde o tempo se espelha
E sacia




Biografia de Octávio Paz

Octávio Paz (1914-1998) foi poeta e pensador mexicano. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1990. Foi ensaísta, tradutor e diplomata. Foi durante muitos anos, uma das personalidades mais influentes na vida cultural da América Latina.
Octávio Paz (1914-1998) nasceu na Cidade do México, no dia 31 de março de 1914. Durante sua infância, morou com a família nos Estados Unidos. De volta ao México, estudou Direito na Universidade Autônoma do México. Começou a escrever desde a adolescência, convivendo com as maiores expressões da poesia hispânica.
Em 1933, Octávio Paz publica seu primeiro livro "Luna Silvestre". Em 1945, ingressa no serviço diplomático do México. Morou na Espanha, em Paris, no Japão e na Índia. Além de diplomata, destacou-se como poeta e por todo seu trabalho de ensaísta, crítico literário, agitador cultural e polemista político.
Em 1950, o poeta escreveu "O Labirinto da Solidão", uma investigação histórico-antropológica sobre seu país, que se tornou uma obra clássica. Em 1956, publicou "O Arco e a Lira", um ensaio lírico a respeito da poesia, de sua origem e natureza.
Seu primeiro grande poema, de dez páginas, "Pedra e Sol", escrito em 1957, recebe elogios quase unanimes da crítica. O poema consiste numa extensa meditação poética, com temas que acompanharam o poeta durante sua trajetória: a memória e a história, o amor e o erotismo, o contraste entre o Ocidente e o Oriente e a essência da criação.
Otaviano Paz Losano faleceu na Cidade do México, no dia 19 de abril de 1998.
FONTE: www.ebiografia.com/octavio_paz/

MUITA LUZ
DO AMIGO
MARCELO LAMBERT




quarta-feira, 21 de junho de 2017

Franz Kafka - Por Marcelo Lambert

Vivemos Presos ao Nosso Passado e ao Nosso Futuro
A nós ligam-nos o nosso passado e o nosso futuro. Passamos quase todo o nosso tempo livre e também quanto do nosso tempo de trabalho a deixá-los subir e descer na balança. O que o futuro excede em dimensão, substitui o passado em peso, e no fim não se distinguem os dois, a meninice torna-se clara mais tarde, tal como é o futuro, e o fim do futuro já é de fato vivido em todos os nossos suspiros e assim se torna passado. Assim quase se fecha este círculo em cujo rebordo andamos. Bem, este círculo pertence-nos de fato, mas só nos pertence enquanto nos mantivermos nele; se nos afastarmos para o lado uma vez que seja, por distração, por esquecimento, por susto, por espanto, por cansaço, eis que já o perdemos no espaço; até agora tínhamos tido o nariz metido na corrente do tempo, agora retrocedemos, ex-nadadores, caminhantes atuais, e estamos perdidos. Estamos do lado de fora da lei, ninguém sabe disso, mas todos nos tratam de acordo com isso. 

Franz Kafka, in 'Diário (1910)'

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Enfrentar-se a Si Próprio
Ódio da introspecção ativa. Explicações da nossa alma, tais como: ontem eu estava assim e assado, por esta ou por aquela razão; hoje estou assim e assado, por qualquer outra razão. Não é verdade, nem por esta razão nem por aquela razão, e por isso também nem assim nem assado. 
Enfrentar-se a si próprio calmamente, sem precipitações, viver como se tem de viver, não andar à caça do próprio rabo como o cão. 
Adormeci nos arbustos. Um barulho acordou-me. Encontrei um livro nas minhas mãos, que tinha estado a ler. Deitei-o fora e levantei-me de um salto. Passava pouco do meio-dia; em frente da colina em que eu estava estendia-se uma grande planura com aldeias e lagos e sebes todas iguais, altas, que pareciam feitas de junco. Pus as mãos nas ancas, examinei tudo com o olhar, e ao mesmo tempo escutei o barulho. 

Franz Kafka, in 'Diário (09 Dez 1913)' 

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Cessa de Correr !
Se não cessas de correr, marulhando no ar tépido com as tuas mãos como natatórios, olhando furtivamente tudo diante de que passas no meio-sono apressado, acontecer-te-á também um dia deixar passar diante de ti o carro. Se te mantiveres firme, pelo contrário, com o poder do teu olhar fazendo crescer as raízes em profundidade e em comprimento - nada então te poderá eliminar - em virtude não das raízes mas da força do teu olhar que escruta - será então que verás o longínquo imutavelmente obscuro de onde nada pode surgir a não ser precisamente uma vez este carro que rola para ti, que se aproxima, cada vez maior e que, no próprio instante em que entras em tua casa, enche o mundo enquanto mergulhas nele como uma criança no banco acolchoado de uma diligência que corre através da tempestade e da noite. 

Franz Kafka, in "Meditações" 

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O Mais Fundo de Nós Mesmos

A uma certa altura do autoconhecimento, quando estão presentes outras circunstâncias que favorecem a auto-segurança, invariavelmente e sem outra hipótese sentimo-nos execráveis. Todas as medidas do bem — por muito que as opiniões possam diferir sobre isto — parecerão demasiado altas. Vemos que não passamos de um ninho de ratos feito de dissimulações miseráveis. O mais insignificante dos nossos atos não deixa de estar contaminado por estas dissimulações. Estas intenções dissimuladas são tão horríveis que no decurso do nosso exame de consciência não vamos querer ponderá-las de perto, mas, pelo contrário, ficaremos contentes de as avistar de longe. Estas intenções não são todas elas feitas apenas de egoísmo, o egoísmo em comparação parece um ideal do bem e do belo. A porcaria que vamos encontrar existe por si só; reconheceremos que viemos ao mundo pingando este fardo e sairemos outra vez irreconhecíveis, ou então demasiado reconhecíveis, por causa dela. Esta porcaria é o fundo mais profundo que encontraremos; nos fundos mais profundos não haverá lava, não, mas porcaria. É o mais fundo e o mais alto e até as dúvidas que o exame de consciência origina em breve enfraquecerão e se tornarão complacentes como o espojar de um porco na imundície. 

Franz Kafka, in 'Diário (07 Fev 1915)' 

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Franz Kafka
František Kafka
Nome completoFrantišek Kafka
Nascimento3 de julho de 1883
PragaBoémia,
Áustria-Hungria Império Austro-Húngaro (atual República Checa República Tcheca)
Morte3 de junho de 1924 (40 anos)
KlosterneuburgRepública Austríaca (atual Áustria Áustria)
Ocupaçãoescritor
Movimento literáriomodernismoexistencialismosurrealismo, precursor do realismo mágico
Magnum opusA Metamorfose
O Castelo
O Processo
ReligiãoJudeu[1][2][3]
Causa da morteInsuficiência cardíaca

Espero que o artigo dessa semana traga profundas reflexões sobre a sua própria existência. Kafka instiga a todos nós a pensarmos sobre nossas vidas e nossas ações.
Vivemos em um mundo absolutamente tecnológico e precisamos resgatar os valores necessários para uma sociedade mais justa e humana.

MUITA LUZ
DO AMIGO
MARCELO LAMBERT

terça-feira, 20 de junho de 2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

EXEMPLO - POR MARCELO LAMBERT


EXEMPLO - POR MARCELO LAMBERT, faz parte do projeto "DENTRO DA BIBLIOTECA". A reflexão da semana propõe a necessidade constante de produzirmos ótimos exemplos para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos e não para uma minoria. 
Acredito profundamente que através dos bons exemplos nós educamos, dessa maneira vamos lutar por isso.



MUITA LUZ
DO AMIGO
MARCELO LAMBERT

www.marcelolambert.com

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Ghoethe - Um gênio - Por Marcelo Lambert

Olá Amigos,
Um breve histórico de um gênio.
Goethe (1749-1832) foi um escritor alemão, autor de "Fausto", poema trágico, obra prima da literatura alemã. Foi filósofo e cientista. Fez parte, junto com Schiller, Wieland e Herder, do "Classicismo de Weimar"(1786-1805), período do apogeu literário na Alemanha.
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Goethe (1749-1832) nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 28 de agosto de 1749. Filho do juiz Johann Gaspar Goethe e de Catharina Elisabeth Goethe, descendente de rica e culta família alemã. Cresceu em meio aos livros da biblioteca de seu pai, que possuía mais de 2000 volumes. Educados por tutores, recebeu aulas de inglês, francês, italiano, grego e latim. Estudou ciências, religião e música.
Em 1765, inicia o curso de Direito da Universidade de Leipzig. Pouco interessado nas aulas da faculdade e levando uma vida boêmia, em 1768, é acometido de tuberculose e retorna à casa dos pais. Escreve suas primeiras poesias. Sua obra é frequentemente inspirada por fatos de sua vida. Em 1770, vai para Estrasburgo, Alsácis, onde volta ao curso de Direito. Nessa época conhece Herder, filósofo e escritor alemão, que lhe influencia na leitura de Shakespeare, Homero e Ossian. Em 1771, licencia-se em Direito. Nesse ano publica "O Cavaleiro da Mão de Ferro".
A paixão pela filha de um pastor resulta em uma série de poesias líricas. Em 1972 vai para Wetzlar, no estado de Hessen, trabalhar na corte da justiça imperial. O amor por Charlotte Buff, noiva de um amigo, dá origem a obra pré-romântica "Os Sofrimentos do Jovem Werther" (1774), que termina com o suicídio do personagem principal. O grande sucesso do livro na Europa o torna conhecido mundialmente.
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Ainda em 1774, é nomeado ministro do ducado de Weimar, onde se fixa. Nesse período, escreve "Prometheus", "Ganymed", "Mahomets Gesang" e "Stella" e dá início a sua obra prima "Fausto". Estuda e faz pesquisas na área de Ciências Naturais. Em 1784, descobre o "intermaxilar", osso do corpo humano desconhecido pelos anatomistas, e elabora teses que antecipam a Teoria Darwinista.
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Em 1786, vai a Roma, onde transforma em versos a tragédia grega "Ifigênia em Táuride" (1787). Em 1806, casa-se com Christiane Valpius. Escreve cenas de "Fausto", obra do romantismo, que começou em 1774 e só é concluída em 1830. Com Fausto, que vende a alma ao diabo em troca de saber e bens, faz uma metáfora da vida humana.
Johann Wolfgang Goethe morreu em Weimar, Alemanha, no dia 22 de março de 1832.

Fonte: https://www.ebiografia.com/goethe/



Frases de Goethe


- "A idade não nos torna adultos. Não! Faz de nós verdadeiras crianças." 

- "Todas as coisas no mundo são metáforas." 


- "A igualdade nos faz repousar. A contradição é que nos torna produtivo." 



- "Coloquei a minha casa sobre o nada, por isso todo o mundo é meu." 



- "A alegria não está nas coisas: está em nós." 



- "A natureza do amor tem sempre algo de impertinente." 



- "Ninguém é mais escravo do que aquele que se considera livre sem o ser." 



- "O que cantamos em companhia vai de cada coração aos demais corações." 



- "Um homem de valor nunca é ingrato." 



- "O homem deseja tantas coisas, e no entanto precisa de tão pouco." 



Poemas de Goethe

Canto dos Espíritos sobre as Águas

A alma do homem 
É como a água: 
Do céu vem, 
Ao céu sobe, 
E de novo tem 
Que descer à terra, 
Em mudança eterna. 


Corre do alto 
Rochedo a pino 
O veio puro, 
Então em belo 
Pó de ondas de névoa 
Desce à rocha liza, 
E acolhido de manso 
Vai, tudo velando, 
Em baixo murmúrio, 
Lá para as profundas. 



Erguem-se penhascos 
De encontro à queda, 
— Vai, 'spúmando em raiva, 
Degrau em degrau 
Para o abismo. 



No leito baixo 
Desliza ao longo do vale relvado, 
E no lago manso 
Pascem seu rosto 
Os astros todos. 



Vento é da vaga 
O belo amante; 
Vento mistura do fundo ao cimo 
Ondas 'spumantes. 



Alma do Homem, 
És bem como a água! 
Destino do homem, 
És bem como o vento! 



Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas" 

Feliz Só Será


Feliz só será 

A alma que amar. 


'Star alegre 
E triste, 
Perder-se a pensar, 
Desejar 
E recear 
Suspensa em penar, 
Saltar de prazer, 
De aflição morrer — 
Feliz só será 
A alma que amar. 



Johann Wolfgang von Goethe, in "Canções" 

O Divino


Nobre seja o homem, 

Caridoso e bom! 

Pois isso apenas 

É que o distingue 

De todos os seres 

Que conhecemos. 


Glória aos incógnitos 
Mais altos seres 
Que pressentimos! 
Que o homem se lhes iguale! 
Seu exemplo nos ensine 
A crer naqueles! 



Pois insensível 
É a natureza: 
O sol 'spalha luz 
Sobre maus e bons, 
E ao criminoso 
Brilham como ao santo 
A lua e as 'strelas. 



Vento e torrentes, 
Trovão e saraiva 
Rugem seu caminho 
E agarram, 
Velozes passando, 
Um após outro. 



Tal a sorte às cegas 
Lança mãos à turba 
E agarra os cabelos 
Do menino inocente 
Ou a fronte calva 
Do velho culpado. 



Por eternas leis, 
Grandes e de bronze, 
Temos todos nós 
De fechar os círculos 
Da nossa existência. 



Mas somente o homem 
Pode o impossível: 
Só ele distingue, 
Escolhe e julga; 
E pode ao instante 
Dar duração. 



Só ele é que pode 
Premiar o bom, 
Castigar o mau, 
Curar e salvar, 
Unir com proveito 
Tudo o que erra e divaga. 



E nós veneramos 
Os Imortais 
Como se homens fossem, 
Em grande fizessem 
O que em pequeno o melhor de nós 
Faz ou deseja. 



Que o homem nobre 
Seja caridoso e bom! 
Incansável crie 
O útil, o justo, 
E nos seja exemplo 
Dos Seres pressentidos. 



Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas" 

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Indico essa obra é simplesmente sensacional



Espero que tenham gostado do artigo dessa semana.


MUITA LUZ
DO
AMIGO
MARCELO LAMBERT
www.marcelolambert.com