terça-feira, 27 de dezembro de 2016

LANÇAMENTO RÁDIO ODISSEIA

OLÁ MEUS AMIGOS

TENHO UMA GRANDE NOVIDADE, DIA 02/01/2017 ESTAREMOS LANÇANDO A RÁDIO ODISSEIA. UMA RÁDIO QUE TERÁ COMO VOCAÇÃO A CULTURA PARA TODOS.

SITE: www.radioodisseia.com.br

LEMBRANDO QUE VOCÊS PODERÃO BAIXAR O APLICATIVO DA RÁDIO PARA OS SISTEMAS OPERACIONAIS ANDROID E IOS.


UM GRANDE ABRAÇO DO AMIGO

MARCELO LAMBERT

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Chakana, a cruz andina


A cruz é um símbolo universal que possui tantos nomes e significados quanto nossa
diversificação cultural permitir, muitas vezes a mesma cruz tem significados distintos em culturas distintas e talvez o fator que explica a amplitude desse símbolo é sua simplicidade e associação com outros fatores universais como os pontos cardeais e o próprio sol. Em nossa cultura nomeamos de “Cruz” devido os romanos, pois a palavra cruz deriva de “crucius” que significa tortura em latim, pois os romanos utilizavam estacas em posições transversais para punir criminosos os amarrando ou pregando nelas, e como Jesus foi vítima desse terrível castigo o símbolo se propagou através dos tempos junto com o cristianismo se tornando mundialmente conhecido. Mas a cruz que iremos falar nesse artigo não tem uma ligação com a cultura cristã e com sacrifício, porém seu objetivo também é conectar o indivíduo ao sagrado o que torna o assunto fascinante.

  A “cruz” andina se chama Chakana, uma palavra composta, onde chaka significa ponte e Hanã mundo superior ou espiritual, ou ainda aquilo que está acima, dessa forma em uma tradução livre seria “A ponte entre o mundo material e o mundo espiritual”, um símbolo que demonstra a jornada do ser humano neste plano e em outros. Primeiro vamos analisar seus três níveis que possuem um significa muito complexo,  a parte superior se chama Hanã Pacha (o mundo superior, habitado por deuses), a intermediária Kay Pacha, (o mundo de nossa existência) e a inferior Ucu ou Urin Pacha (o mundo inferior habitado por espíritos, ancestrais e várias deidades que tem contato próximo com a Terra), dessa forma esse símbolo descreve os três planos que existem em nosso universo e ao mesmo tempo cada nível é associado a um animal que é o guardião e guia daquele estágio.
O Condor, a águia da  América do Sul, corresponde ao mundo superior, seu dever é guiar os seres humanos na busca pela ascensão, como é um animal que vive em regiões altas e possui um intimo contato com o sol era visto como uma criatura celestial, várias culturas associam as aves de rapina a esse dever seguindo essa linha de raciocínio. O Jaguar era o guardião da Terra, um majestoso animal capaz de ser rei nas florestas andinas e por este motivo detinha o poder sobre nosso plano terrestre. Por fim a serpente era a guardiã do mundo inferior, aquela que se rastejava e possuía segredos misteriosos do interior da Terra, todos esses animais não eram apenas fisicamente os guardiões e guias desses mundos, mas eram o tipo de energia que os andinos buscavam se conectar para obter um caminho para o sagrado.
Um exemplo disso estava ao centro da Chakana, onde existe um círculo em baixo relevo denominado “Axis” que significa que “O Xamã” aquele que é capaz de transitar pelo cósmico para outros níveis. Também representa a cidade de Cusco, o centro do Império Inca, conhecida como umbigo do mundo, local onde os percursores da civilização inca usariam como ponto de partida para construir um império, pois possuíam o conhecimento do deus Sol Int-Viracocha, logo o centro simboliza a possibilidade de entender o mundo e transforma-lo através do conhecimento da totalidade do símbolo. Logo o Xamã era capaz de se conectar com esses três animais e compreender o Mundo em sua totalidade.
Existiam outras formas de ler a Chakana, dessa vez pelas quatro pontas que completavam um círculo, existe a possibilidade de aplicar esse símbolo a muitas funções, cada uma das quatro pontas era associada a diversos fatores de acordo com um contexto, poderiam demostrar as quatro estações e cada um dos seus degraus a os meses que a compõe e dessa forma serviria como um calendário agrícola, como os povos andinos eram hábeis agricultores e conseguiam produzir diversas técnicas de plantio esse calendário era crucial para calcular etapas de descanso da terra e épocas de plantio e colheita. Outra utilidade era a astronomia, esse símbolo era talhado em vários templos e servia como forma de estudar e mapear constelações, uma das que a associação é evidente é a Cruzeiro do Sul, existem estudos e momentos específicos do ano que essa associação conseguia ser feita e determinados movimentos planetários podiam ser previstos com base em estudos realizados a partir da cruz, a pirâmide de Akapana por exemplo demostra essa possibilidade, no topo da pirâmide existia uma cruz andina que era utilizada em rituais e observações astronômicas, pesquisas indicam que o posicionamento da pirâmide condiz com eventos e fenômenos astronômicos dessa e de outras eras.
A cruz andina também era associada aos quatro elementos e utilizada em vários rituais, lembrando que a sociedade andina estava o tempo todo vinculada com o sagrado e por este motivo era impossível separar a política da religião e da ciência. Esses são alguns exemplos de como esse símbolo estava enraizado na cultura andina e o quão complexo é entende-lo. Tudo isso demostra como os símbolos são complexos e ao mesmo tempo necessários para realizar uma conexão com um mundo que não entendemos seja ele interno ou externo.

No dia 18/10 faremos uma palestra no Adamastor Guarulhos onde abordaremos mais sobre o tema e sobre a arquitetura Andina, acesse o link abaixo e participe!

http://semcitec.guarulhos.sp.gov.br/


 Grande Abraço
Jonatan tostes


Equipe Marcelo Lambert
www.marcelolambert.com

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CONVITE - CURSO ESPIRITUALIDADE MAIA - SERÁ DIA 22/10/2016

O curso trará uma profunda reflexão sobre a espiritualidade Maia, onde iremos trabalhar o conceito de vida, morte, sacrifício, vida após morte, a superação do ser humano em seu cotidiano, e acima de tudo como viver de forma inteira e plena. O encontro trará uma viagem profunda na busca de nosso auto-conhecimento e na compreensão dos desafios que são colocados em nossas vidas. Através da Civilização Maia faremos uma grandiosa viagem em nosso interior, buscando nessa cultura milenar as chaves para os grandes mistérios de nossa existência.
Inscrições até o dia 21/10/2016 - Entrar em contato:

Tels: 
(11) 2236-2726 
(11) 2236-0244

Cels: 
(11) 98299-1642 TIM WathsApp
(11) 94508-2256 CLARO


E-mail: pax@pax.org.br

UM GRANDE ABRAÇO

DO AMIGO

MARCELO LAMBERT

domingo, 2 de outubro de 2016

PALESTRA O PODER DO MENTAL - PAX - 01/10/2016

PALESTRA O PODER DO MENTAL - PAX - 01/10/2016

Foi um grandioso evento, pessoas muito interessantes, inteligentes e buscando o aprimoramento humano.
Agradeço a todos os participantes.








UM GRANDE ABRAÇO

DO AMIGO

MARCELO LAMBERT

sábado, 27 de agosto de 2016

LANÇAMENTO DO LIVRO "O OBSERVADOR EM TERRAS LATINAS"

Olá meus amigos,

Convido todos vocês para o lançamento do livro "O OBSERVADOR EM TERRAS LATINAS"

LOCAL: HOTEL SABLES

ENDEREÇO: AV. SALGADO FILHO, 1.176 - JARDIM MAIA - GUARULHOS

HORÁRIO: DAS 15H ATÉ 19H

ESPERAMOS TODOS VOCÊS.


UM GRANDE ABRAÇO 

DO AMIGO

MARCELO LAMBERT


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A FORÇA DO MENTAL PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA VIDA PLENA

Agradeço profundamente a presença de todos no evento: A FORÇA DO MENTAL PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA VIDA PLENA.

EM BREVE AGENDA PARA NOVOS CURSOS



UM GRANDE ABRAÇO

DO 

MARCELO LAMBERT

domingo, 31 de julho de 2016

O Uso de Drogas e Substâncias Alucinógenas na América Antiga.

Atualmente nosso mundo civilizado sofre constantemente com os problemas que as drogas lícitas e ilícitas trazem para a sociedade, a cada dia famílias sofrem perdas e a violência aumenta devido o uso inadequado de substancias químicas que alteram o comportamento do ser humano, mas a utilização dessas substâncias não é algo novo, as civilizações antigas da América já utilizavam alucinógenos para alterar seu estado mental, no entanto no mundo antigo, na maior parte das vezes, existia um sentido espiritual muito amplo para o uso dessas substancias, elas eram utilizadas como um acessório ritualístico que permitiria uma conexão com o mundo espiritual.
Os maias, por exemplo, tinham o costume de realizar profecias e o responsável por elas eram os sacerdotes conhecidos como Xamãs-adivinhos, eles faziam uma viagem espiritual após inalarem vapores alucinógenos e das visões que tinham é que faziam as profecias, para eles os alucinógenos permitiam que a mente humana fosse capaz de se comunicar com o sagrado.
Em Remojadas, Vera Cruz no México, arqueólogos descobriram algumas estatuetas com uma fisionomia engraçada, as imagens demostravam garotos com um estranho sorriso e braços levantados, elas representam possivelmente vítimas de sacrifícios que eram drogadas antes dos rituais para que encarassem o ato com tranquilidade, uma forma de enfrentar um ritual complexo, porém os relatos descreviam que o sacrificado ingeria a substancia voluntariamente e não de forma forçada, tendo em vista que, na maior parte dos casos, o sacrifício era um processo cultural nas sociedades mesoamericanas.
Já na América do Sul algumas provas destes costumes também foram encontradas, em Tiwanaku arqueólogos acharam utensílios para administrar alucinógenos que eram aspirados pelo nariz, alguns monólitos possuem nas mãos esses instrumentos que eram vistos como materiais necessários para realizar a ritualística, demostrando como as substancias alucinógenas tinham uma função bem específica para esses povos. Após o uso destas substancias muitas visões eram descritas e dai surgiam lendas, profecias e até mesmo obras de arte que demostravam monstros com três olhos e criaturas com duas cabeças compondo assim um imaginário causado pela alteração da razão devido ao uso de materiais psicotrópicos.
Porém nem todas as substancias utilizadas possuíam o objetivo de alterar a capacidade de discernimento ou se conectar com o mundo espiritual, um exemplo clássico disso é a folha de coca utilizada na América Andina. No princípio ela era usada em rituais pelos nobres Incas que haviam obtido por intermédio de alguns mercadores que a forneciam como um presente dos deuses, o povo em geral só tinha acesso a planta em momentos especiais, ritualísticos e situações particulares, mas com o tempo o acesso a ela foi se popularizando e a planta se tornou algo imprescindível na vida do povo Inca.
 A folha da coca reduzia o cansaço, o efeito da fome, sede, sono e dava mais energia para o trabalho, tanto que uma lenda surgiu para explicar sua origem, Khana Chuyma era um guardião do tesouro do deus sol e quando os espanhóis chegaram e submeteram o povo Inca, ele teve de esconder o tesouro dos colonizadores jogando ele dentro do lago Titicaca, mas os espanhóis capturaram o Inca e o torturaram para que revela-se a localização do artefato, Khana Chuyma bravamente resistiu sem dizer uma palavra. Perto de sua morte a lenda conta que o próprio deus sol veio lhe falar, o deus permitiu que o Khana Chuyma fizesse um pedido, e este pediu para que os invasores fossem expulsos dos Andes, mas este pedido não poderia ser realizado pelo deus, visto que o deus dos espanhóis tinha derrotado o deus sol, por este motivo foi oferecido ao Inca uma planta mágica que iria dar força para os Incas e amenizar a dor causada pela dominação espanhola, a planta aliviaria o sofrimento e daria vitalidade ao povo Inca, mas para os espanhóis ela seria o princípio de conflitos.
Através desta lenda vemos o quanto à folha de coca foi significativa para o povo Inca, e atualmente ainda está fortemente presente na cultura dos povos andinos. Existe uma justificativa biológica para seu uso, ela possibilita o fortalecimento da respiração que é dificultada pelo ar rarefeito, a altitude que chega a cerca de 4000 metros faz com que seja quase impossível viver naquela região sem uma planta que auxilia o cérebro e os pulmões na respiração e que além disso fornece energia para enfrentar aquele relevo severo.
 Acreditando na lenda ou não devemos ver a planta como um tesouro que brotou na terra dos incas e contribuiu para o florescimento e resistência deste grandioso povo. Vale ressaltar que a Folha pura não produz nenhum efeito alucinógeno e é utilizada amplamente, assim como o café no Brasil, pelos povos nativos e por visitantes na América Andina.
A utilização de drogas entre os Maias, Incas e Astecas possuía diversas particularidades, mas o foco era alcanças o mundo sagrado, por este motivo não existe registros significativos de que elas geravam problemas sociais.
Um Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert
Jonatan Tostes  

Para saber mais sobre: Figura sorridente. Cultura Remojadas. Vera Cruz. México. Secs. VII-VIII.
"Os chamados Figuras de sorriso da região de Veracruz são Remojadas muitas vezes consideradas como expressões de humor mesoamericana. Estas esculturas cerâmicas ocas são pensados ​​por muitos para ser associado a um deus da dança, música e alegria. Outra interpretação convincente, no entanto, relaciona-os com um culto de pulque, uma bebida intoxicante feita a partir da seiva fermentada da planta agave. Os rostos animados, bochechas inchadas, inchados e salientes línguas são considerados como evidência de intoxicação. Os números podem representar participantes do ritual, ou mesmo vítimas sacrificiais. A sobrevivência de muitas mais cabeças do que corpos sorridentes Remojadas sugerir a alguns uma possível decapitação cerimonial e destruição dos corpos. Esta figura de peito nu, com a boca aberta e dentes arquivados, se as pernas abertas e energicamente Com os braços levantados como se travado no meio do movimento. O manto da celebrante está consistem em uma circular brincos, colar de contas e pulseira para juntamente com uma tanga decorada com padrões lateralmente simétricas. Em seu ollin cap são símbolos, um sinal para o movimento. Esta escultura evoca uma dança festiva ou ritual Acompanhado pela reverberação rítmica do chocalho de mão e som comemorativo escapar da boca aberta da figura "(The Metropolitan Museum of Art: http://www.metmuseum.org/toah/works- da-arte / 1979.206.1211).


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Canibalismo e Sacrifícios Humanos, Uma Questão de Cultura.

Diversas vezes ouvimos histórias violentas e sanguinárias associadas aos povos indígenas, como se fossem bárbaros que desprezavam a vida ou que tinham prazer em fazer coisas abomináveis para nós, um exemplo disso é a prática do canibalismo. Grande parte das histórias sobre a barbárie atribuída ao indígena envolve os nativos americanos, histórias geralmente são carregadas de preconceitos e fazem muitas pessoas enxergarem a América pré-colombiana como um continente mergulhado na selvageria, mas será que devemos ter esse olhar sobre nossos nativos, ou ao vê-los assim estamos sendo parciais assim como seriam eles se nos conceituassem apenas pelo que viram no processo de conquista da América, como se fossemos dizimadores de povos.
 Sabemos é claro que nem todos os nativos praticavam o canibalismo, mas qual será a ligação deste ato com os habitantes originais de nosso continente?
Quando Colombo partiu rumo ao desconhecido possuía um imaginário repleto de seres e criaturas horripilantes que poderiam habitar o Oceano Atlântico e ao desembarcar nas Antilhas em 1492 se deparou com povos pacíficos, uma tribo chamada Arahuacos, por acreditar que tinha realizado o percurso planejado e descoberto uma nova rota para a Índia chamou equivocadamente os habitantes daquelas terras de “índios”, uma falha que repetimos até hoje. A ilha das Bahamas que os espanhóis desembarcaram estava repleta de Arahuacos, alguns andavam nus e outros com algumas penas para enfeitar o corpo, eles receberam os espanhóis com muito receio e curiosidade pena que após alguns anos poucos sobreviveram, grande parte da tribo foi dizimada pelas doenças que os espanhóis transmitiram neste primeiro contato.
     Por mais que os Arahuacos fossem pacíficos eles só conseguiram dominar aquela região após terem expulsado outras tribos do local, e além delas existiam muitas outras tentando se apossar daquele território, uma delas era conhecida como os “Caribes”, uma tribo hostil perita na arte da guerra, eles eram temidos por comerem seus inimigos e casarem com as mulheres da tribo vencida. Neste cenário que Colombo e seus navegantes desembarcaram e foram à procura de riquezas. No diário de Colombo é descrito que a distinção entre os Caribes e os Aharuacos era fácil, os primeiros são ferozes e os segundos submissos, logo da palavra “caribe” é que da origem ao nome “canibal”, uma tradução literal desse nome seria povo ousado ou audaz, esse nome se propagou e devido estes povos serem canibais, algo que deixava os espanhóis aterrorizados, acabou virando uma forma comum de rotular essa prática.
O canibalismo assombrava muito os colonizadores, pois era uma prática nada comum na Europa, no mundo grego existiam mitos e lendas que falavam desta prática, mas estar em um mundo desconhecido cercado por nativos que a realizavam constantemente era algo preocupante.  É muito difícil analisar qual era o verdadeiro papel do canibalismo naquele povo, com certeza não era apenas para provocar uma espécie de terrorismo, temos de levar em consideração questões religiosas, mas devido à falta de documentos e pesquisa dificilmente conseguiremos uma abordagem profunda sobre isto, uma teoria é que todo inimigo devorado agregava suas forças ao vencedor, ou seja, cometer o canibalismo era uma forma de conseguir mais poder, algo muito útil durante um processo de dominação.
Uma outra teoria que amplia a noção desse costume é o canibalismo como um processo ritualístico, dando origem ao termo antropofagismo, os antropófagos, traduzindo: aqueles que tem fome de homens, seriam os que cometem uma espécie de canibalismo com motivos mais específicos e não apenas para alimentação. Esse caso aparece aqui no Brasil com os índios Tupinambás e também os Tamoios, especialistas afirmam que eles realizavam o canibalismo com outra finalidade, para esses nativos os inimigos eram consumidos como uma forma de vingança, uma maneira de submete-los ao poder dos vencedores, mas sem o objetivo de fazer proveito biológico de sua carne, algo que seria entendido como antropofagia, uma forma de se vingar através de um ritual que envolvia a prática canibal. Observe a seguinte citação que confirma o fato:

“Não é que eles encontrem tantas delícias em comer dessa carne humana e que seu apetite sensual os leve a tais pratos. Por que eu me lembro de ter escutado deles mesmo que, após tê-la comido, eles algumas vezes são forçados a vomitá-la, seu estomago não sendo capaz de digeri-la... O Fazem para satisfazer a raiva, mais que diabólica, que tem de seus inimigos. ”  - D’ABBEVILLE, Claude.

Muitos especialistas estudam essa prática e possuem diversas abordagens sobre o assunto que aqui foi tratado de forma bem resumida, mas que é extremamente amplo e complexo pois se trata de uma cultura que deixou pouquíssimos vestígios ou fontes históricas que poderiam possibilitar sua total compreensão, uma boa indicação para compreender o assunto é a obra O Canibal de Frank Lestringant. Mas o objetivo do artigo é conseguir demostrar que as práticas, muitas vezes consideradas abomináveis, vão muito além de um simples ato de selvageria e revelam a cultura de um povo e doo nosso continente.
Outro exemplo que demoniza os povos indígenas são as práticas ritualísticas que envolvem sacrifício, geralmente pensamos que se trata de um ato bárbaro e totalmente cruel, mas se mergulharmos na cultura pré-colombiana talvez possamos tentar compreender o porquê uma cena dessas era realizada frequentemente no mundo Asteca e Maia.
Na América pré-colombiana, principalmente entre os Astecas e os Maias, o sacrifício humano era uma prática religiosa muito comum, eles acreditavam que os deuses se alimentavam dos homens, assim como os homens se alimentam dos animais e vegetais, por este motivo o sangue era algo precioso para os deuses e os rituais de sacrifício eram necessários para poderem viver em paz e obterem prosperidade.
Para conseguirmos entender como uma prática tão agressiva era algo comum devemos em primeiro lugar conhecer o conceito de morte para estas civilizações, no caso dos Maias a morte era algo muito importante, uma morte honrada concederia uma oportunidade de ressurreição e de gratificação divina, já uma morte por causas naturais ou acidentais não dariam estas recompensas. Os astecas tinham uma visão semelhante, entendiam a vida carnal como uma curta passagem diante da possibilidade de renascer pela morte, mas além disso, acreditavam que os sacrifícios deveriam estar presentes em todos os acontecimentos importantes como rituais, inaugurações (de cidades e de templos) e outros marcos, a morte era uma forma de agradar os deuses, alimentá-los para que eles abençoassem o novo feito.
  Se considerarmos estes fatores chegaremos mais próximos de compreender os sacrifícios que estas civilizações realizavam, outro fator importante é a questão do alimento divino, em vida nós ganhamos diversas coisas dos deuses e para que isto continue temos de dar algo em troca “sangue por sangue”, seguindo este pensamento muitos soberanos Maias e Astecas realizavam sangrias, perfurações corporais com o objetivo de retirar sangue do corpo e com ele alimentar os deuses, a população assistia os rituais e entendia que os soberanos se sacrificavam para que os deuses fornecessem fartas colheitas. Este ato acalmava a população e nutria a fé do povo, um dos motivos da queda de muitos governantes Maias foram os períodos de seca em que as colheitas não eram satisfatórias, a população acreditava que os soberanos não estavam agradando os deuses e isto acabava em revoltas populares.
  Olhar os pré-colombianos sem entender o motivo pelo qual eles realizavam os sacrifícios e identificá-los como uma civilização selvagem é um erro, devemos antes disto procurar entender os motivos que os levavam a realizar tais práticas, muitas coisas que fazemos atualmente com naturalidade podem vir a ser consideradas uma barbaridade no futuro, tudo vai depender das descobertas e da cultura que estiver vigente naquele contexto.
Quando os Maias pensavam na morte eles percebiam o quanto devem se superar em vida, a morte poderia chegar a qualquer momento e por este motivo tinham de estar preparados para ela, a cada dia temos uma oportunidade de vencer todas as coisas que nos impedem de se sentirmos realizados ou de nos superarmos enquanto seres humanos e pensar em nosso tempo de vida é estar atento e disposto para realizar estas transformações.
O sacrifício animal era uma prática religiosa muito utilizada antigamente, mas com o tempo algumas religiões pararam de praticá-la, tanto pela evolução das leis de proteção aos animais quanto pela própria filosofia da religião que se altera conforme os contextos históricos, logo nos tempos antigos e atualmente ele não deve ser visto como algo errado, apenas como algo que atendia, e atende, a determinadas necessidades culturais, isso ocorre constantemente na história, as vezes algumas práticas são abandonados ou modificadas de acordo cm o tempo em que vivemos.
A história nos possibilita analisar essas práticas de uma forma mais ampla, não apenas observa-las como um ato cruel, mas conseguir entender o vínculo cultural existente nelas e trabalhar essa questão em nossas vidas para que ela possibilite nossa evolução e emancipação pelo conhecimento.

Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

                                                                                                                   Jonatan Tostes 


quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Corpo e a Arte na América Antiga

“A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.” 
― Vladimir Maiakovski

O ser humano utiliza um extenso repertório de símbolos para se expressar através de uma linguagem artística: vestimentas, tatuagens, pinturas, piercings e escarnificações são os exemplos mais comuns de métodos e formas utilizadas nesse processo. Atualmente muitas dessas práticas foram mantidas e demostram o quanto herdamos culturalmente traços culturais antigos, mas será que os significados são mantidos? Será que os motivos são os mesmos ou semelhantes?
Um exemplo desse processo são as tatuagens, essa arte tem um histórico milenar e até o momento não foi possível descobrir qual povo iniciou a prática, mas com certeza é possível interpretar o significado que deram a ela. A palavra tatuagem deriva do verbo “Ta tau” de origem samoana (As ilhas de Samoa situam-se no sul do Oceano Pacífico, entre o Havai e a Nova Zelândia), ela faz menção a técnica que era usada para penetrar a tinta na pele, para os moradores dessa ilha a tatuagem era como um totem, estabelecendo uma relação simbólica de proteção e também de afinidade com o desenho em questão que poderia identificar aquela pessoa perante os demais, unindo ela a um grupo ou distinguindo ela dos outros clãs. Era uma forma de identificação personalissíma ou grupal, normalmente o símbolo ficava em partes de fácil vizualização, no caso masculino era realizado nas costas, mas as vezes fugia da regra, no feminino por exemplo, geralmente atrás do joelho.
Por mais que a palavra seja de origem samoana, muitas outras culturas utilizaram em épocas remostas esse recurso, as mumuias do Egito já utilizavam tatuagens e nos Alpes Austríacos foi achado um homem da idade do bronze com 57 tatuagens, seu corpo estava preservado no gelo e a crença local dizia que os desenhos estavam associados a rituais de cura. Dessa forma vemos que os desenhos possuíam significados diferentes, mas uma função muito semelhante, criar através de um símbolo algo que existia apenas no campo da intenção, ou seja, materializar sentimentos e conceitos.
Outro costume curioso são as escarnificações, cicatrizes ritualisticas muito utilizada por povos indígenas para demostrar quem eram os mais bravos guerreiros ou para simboliozar a passagem para vida adulta. Novamente essas marcas possuiam um significado muito intímo e ligado ao grupo, normalmente pela ausência de outras maneiras de produzir uma diferenciação social, uma identidade que marcaria a pessoa em questão e possibilitaria que o mesmo fosse reconhecido perante os demais.
Uma prova disso são as perfurações, muito utilizadas pelas tribos nativas da América, os piercings e alargadores eram uma forma de demostrar ascensão e prestigio social. Algumas tribos Maias e Astecas faziam perfurações em rituais e deixavam o sangue escorrer pela terra, pois o mesmo alimentava os deuses segundo sua crença.
Os indígenas brasileiros retratam este assunto com a lenda de “Kamukuaká”, uma criatura divina que era muito famoso entre os nativos do Mato Grosso, de acordo com a lenda o Kamukuaká não possuía umbigo devido não ter sido gerado apenas ter vindo de um lugar desconhecido e para compensar este fato ele decidiu furar suas orelhas em uma grande festa.
A festa foi tão grandiosa que o sol ficou com inveja desta criatura, logo no meio da festa ele resolveu matá-la atirando-lhe flechas, mas como Kamukuaká era muito rápido ele desviou e as flechas furaram apenas suas orelhas, quando o povo viu a habilidade daquele ser ao se esquivar do próprio sol resolveram furar suas orelhas em homenagem a ele e até hoje os indígenas mato-grossenses realizam uma festa onde praticam uma cerimônia que lembra este episódio.
Com o tempo esses buracos começaram a ser preenchidos com joias e em pouco tempo os índios começaram a utilizar alargadores, é claro que o uso deles tinha um significado, na tribo Kayapó por exemplo, o Botoque (alargador colocado no lábio inferior) é uma forma de demostrar que a pessoa tem o dom da oratória e quando colocam um alargador na orelha é porque acreditam que os ouvidos se tornam mais receptivos com ele e logo a pessoa se tornará mais sabia.
Os incas também foram grandes utilizadores dos alargadores de orelha, seus alargadores eram inseridos apenas nas pessoas de grande prestigio social, por causa disto os espanhóis apelidaram os nativos superiores de “orejones” (orelhudos) devido ao tamanho das orelhas alargadas. Para os incas essa pratica possibilitaria a ampliação dos sentidos e a comunicação com o mundo sagrado.
Além destes costumes que algumas pessoas consideram mais agressivos também existiam formas de se expressar corporalmente sem envolver sangue, muitos povos nativos trabalhavam com pinturas corporais ou trajes coloridos para marcar rituais ou apenas criar alegorias para o cotidiano, a pintura de rena, por exemplo, já era praticada por mulheres a cerca de cinco mil anos atrás. Já as vestimentas são formas ainda mais sutis, porém não menos significativas, de diferenciação social e conexão com a espiritualidade, para os povos incas elas eram muito importantes, certa vez, Atahualpa, imperador Inca, ao ameaçar Pizarro, conquistador espanhol, pouco antes de ser levado para a prisão iria dizer com profundo ódio as seguintes palavras “Eu sei o que fizestes ao longo deste caminho. Tomastes as vestes dos templos, e eu não desancarei até que as devolva para mim! ”, estranho ouvir tal reclamação, visto que neste momento o mundo inca se encontrava em uma profunda guerra civil e os espanhóis estavam aprisionando o nobre Inca, as roupas deveriam ser a última coisa que um imperador se preocuparia, mas Atahualpa se referia as roupas sagradas do mundo Inca.
      Para os Incas as roupas tinham um valor fundamental, elas demonstravam a hierarquia social que o nobre ocupava, tendo o mesmo efeito das joias, ou seja, quanto mais nobre maior a complexidade da confecção de sua vestimenta, cores, formato e qualidade do tecido, os nobres usavam roupas chamadas “Cumbi”, elas eram feitas com fibras de camelídeos (Lhama, Alpaca, Guanaco ou Vicunha) por tecelões muito habilidosos. Em outras ocasiões as roupas tinham um valor sagrado, pois eram um objeto ritualístico, de acordo com a mudança da colheita ou estação do ano um tipo de roupa era usado para realizar o ritual de passagem de ciclo, de forma que existiam tecelões específicos para produzir a vestimenta de acordo com a ocasião ou ritual.  Isso pode ser constatado com a descoberta das múmias Incas em Paracas, elas estavam enroladas de mantos repletos de cores vivas e bordados zoomórficos, revelando a importância da vestimenta para os povos dos Andes, visto que os Incas herdaram esse costume das civilizações anteriores.
Tudo isso nos mostra como algumas praticas que consideramos novas e causam espanto para pessoas mais conservadoras são muito antigas em nosso mundo e faziam parte da cultura de diversos povos na antiguidade, a arte corporal é um costume sem fronteiras que vem sendo aprimorado e a cada dia gera mais adeptos que inovam seus conceitos dando novos valores a essa arte milenar. O Que realmente importa é que a pessoa esteja sincronizada com o tipo de arte escolhida e atrvés dela consiga atingir seus objetivos sejam artísticos ou espirituais, por este motivo vale utilizar a História para investigar as razões dos antigos em criar essas práticas e comparar com a atuliade para entendermos como funciona a evolução dessa rica forma de manifestação.
Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Cuzco, O Umbigo do Mundo

Ao ouvir a frase “A cidade da qual confluíam todos os caminhos” nos podemos achar que se trata de Roma, mas esta frase se refere à Cuzco “O Umbigo do mundo”. Roma exerceu um gigantesco domínio na Europa e a frase que demonstra o poder desta cidade surgiu por volta do século I d.C., quando Roma era vista como o Umbigo do mundo tendo cerca de 80 mil Km de estradas que poderiam conduzir seus cidadãos por grande parte da Europa, de forma que todos os caminhos acabavam cruzando com a cidade e eram dominados pelo império romano, esta situação deu origem a frase “todos os caminhos levam a Roma”, ou seja, é impossível escapar do Império Romano que se fazia presente na Europa.   
Uma frase semelhante surgiu no século XV, desta vez na América do Sul no império Tawantinsuyo, mais conhecido como império Inca. A capital deste império era Cuzco, que na língua local significa “umbigo do mundo”, semelhante a Roma ela era o centro administrativo e possuía também uma lenda de fundação, Cuzco foi fundada pelos primeiros Incas enviados pelo deus sol para civilizar o homem, o mito diz que o deus entregou a seu casal de filhos uma barra de ouro e deu ordem para que vagassem pelos Andes e em todo local que parassem tentassem cravá-la no solo, onde a barra afundasse com facilidade seria o local que a capital deveria surgir, pois lá era o “Umbigo do mundo”, séculos depois os Incas podiam afirmar que Cuzco era “a cidade da qual confluíam todos os caminhos”, já que ela era o centro do império.
Cuzco esta a cerca de 3.100 metros de altitude em um vale rodeado de montanhas, a cidade é divida em Hunan Cuzco (parte alta), hurin Cuzco (parte baixa) e uma bela praça quadrangular, desta saem quatro grandes caminhos que levavam para o restante do império a palavra tawantinsuyo significa exatamente “quatro partes”, ou seja, a totalidade do império. Hoje grande parte dos templos de Cusco estão destruídos devido a guerra civil e a conquista que aconteceram no século XVI, mas a cidade abriga ainda muitos mistérios que atrai pesquisadores de todo mundo.  
Um deles é o templo das virgens do sol, o acllahuaci “casa das escolhidas” um local que abrigava cerca de 1500 mulheres virgens dedicadas ao deus inti-viracocha, essas moças eram escolhidas pelos nobres e retiradas de seu lar com oito anos, no decorrer de sua estadia no templo elas ficavam trabalhando com tecidos e artesanato, não de uma forma escrava e sim como um passa tempo e como uma forma de dedicar suas vidas ao deus sol, os cronistas contam que elas não tinham contato com homens, pois deveriam ser possuídas pelo próprio deus sol, logo viviam uma vida repleta de rituais e abundancia já que eram as esposas do Inti.
Outra curiosidade era o engenhoso sistema de comunicação e transporte, as cidades eram ligadas por gigantescas estradas muito bem alinhadas e organizadas, elas chegavam a possuir 1.600 Km de extensão e ligavam a Cuzco e a outras regiões, como Quito outra cidade de grande importância para o povo.
As crônicas espanholas relatam que as estradas eram extremamente limpas, pois o ato de tropeçar era um sinal de mal pressagio e por isto eram muito cautelosos nas estradas, os incas viajavam e transportavam diversas mercadorias por elas e quando acontecia algum imprevisto elas serviam para conduzir mensagens. Para a transmissão de mensagens os Incas usavam as Chucla, nome dado a pequenas casas construídas na beira da estrada onde viviam os mensageiros denominados Chasquis que eram treinados para serem velocistas, pois as mensagens eram levadas de forma oral até o imperador.
Estes mensageiros ficavam sempre em alerta e quando surgia uma mensagem eles saiam correndo até a próxima Chucla e sem parar de correr o outro mensageiro acompanhava o primeiro até ouvir toda a mensagem e entende-la, só então continuava o percurso até a próxima chula onde um novo mensageiro faria o mesmo até a mensagem chegar em seu destino, eles não perdiam nem um segundo apenas corriam.
Muitas vezes estes homens eram interceptados por traidores, mas mesmo assim este era o meio de comunicação mais usado, os mensageiros chegavam a percorrer setecentos quilômetros em três dias e para a época isto era algo muito satisfatório. Quando a mensagem era mais simples, algo como uma invasão ou motim, os incas utilizavam sinais de fumaça e pela noite alguns sinais luminosos com tochas altas como faróis.
Esta cidade possui diversas outras curiosidades e engenhosidades que a tornavam a Roma da América do Sul o que nos mostra o grau de complexidade cultural que foi alcançado nos Andes, o propósito do artigo não é apenas comparar duas grandes cidades com a intenção de rivalizar a cultura americana com a europeia, mas sim demonstrar mais uma vez,  como eram grandiosa as civilizações que possuíamos antes da conquista e que elas não deixavam nada a perder para as demais civilizações do mundo.
Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes

sábado, 23 de julho de 2016

O Papel da mulher no mundo Inca

Nossa América é famosa por possuir a maior floresta do mundo, a Amazonas, um fato curioso é que este nome foi dado pelo explorador espanhol Francisco de Orellana, ele se baseou em mitos gregos que falavam da existência de mulheres guerreiras que amputavam os próprios seios para serem mais rápidas em combate e no manejo do arco, por este motivo ganhavam o nome “Amazona” que em grego significa “Sem seios”, quando Francisco de Orellana viu as belas mulheres do amazonas e foi surpreendido por algumas que belas e habilidosas guerreiras, então decidiu batizar o lugar com este nome.
No entanto por mais que este explorador viu a fúria da mulher na Floresta Amazônica e em outras tribos e clãs espalhados pelo continente, o que ocorria com a mulher no restante da América do Sul, mais precisamente no maior império da América antiga não uma plena igualdade de gênero, mas persistia nas terras incas o machismo. Dados apontam para uma descrição de uma sociedade muito preconceituosa e pesquisadores demostram que os Incas não davam espaço para as mulheres atuarem como cidadãs, existem muitas lendas que demostram uma figura romântica e importante da mulher, mas a sociedade inca impunha a ela o papel de mantenedora do lar e responsável por gerar e cuidar dos filhos até que eles iniciassem seu treinamento militar.
As mulheres que possuíam sangue Inca eram mantidas como esposas do Imperador, o Inca tinha o costume de casar-se com suas irmãs, sobrinhas, e primas para manter o sangue puro, pois eles acreditavam que dois irmãos filhos do sol deram origem a civilização inca e para que a pureza do sangue divino fosse mantida eles faziam casamentos entre irmãos. Mesmo assim o Imperador possuía um grande harém onde colocava diversas mulheres de tribos conquistadas, geralmente as filhas dos caciques para garantir também um domínio sobre a raça que acabara de conquistar, uma espécie de poligamia estratégica. Aquelas que não eram utilizadas para serviços sexuais se dedicavam ao mundo espiritual realizando rituais, essas mulheres que viviam perto a nobreza eram chamadas de Mamaconas.
O Seguinte poema reflete um pequeno relato de aflição das jovens que se sentiam condenadas a uma vida sem sentido devido a opressão da cultura machista e do valor que davam a mulher na sociedade:
“Nasci de uma flor do campo
Como uma flor, fui cultivada em minha juventude
Atingi a idade máxima, envelheci
Agora vou murchar e morrer”
                                  (Poema de memória das mulheres dos Incas)
Esse relato, por mais que parcial e colhido de forma oral e depois transcrito na época da colonização, demostra um pouco do sentimento de jovens que fossem submetidas a esse processo, por mais que culturalmente muitas poderiam aceita-lo, havia rejeições.
A maior fonte que possuímos para tratar essa questão são relatos dos padres que colonizaram e catequizaram a região junto a alguns indícios materiais e contos como o demostrado acima, mas todos eles indicam que a mulher não ocupava uma posição social análoga a masculina e por mais que fosse respeitada não era uma sociedade igualitária. No entanto havia uma grande semelhança entre as classes mais baixas em relação as funções, no trabalho do campo ambos os sexos tinham grande semelhança e realizavam praticamente as mesmas funções, resguardado o período de gravidez e amamentação da mulher, já o ensino era destinado apenas a elite e de acordo com as funções que iriam exercer.
Uma crônica que demostra esses dados é a da princesa Quispe Sisa, ela vivia em Cajamarca e compunha o harém do imperador já que era meia-irmã do Atahualpa, mas com a invasão de Pizarro e a morte de Atahualpa a moça foi batizada pelos espanhóis e ganhou o nome de Dona Inés. Pizarro ficou apaixonado pela beleza da princesa decidiu fazer dela sua esposa, ela deu à luz a dois filhos Francisca Pizarro e Gonzalo Pizarro, mesmo assim como o espanhol estava em constante combate ele resolveu se livrar da princesa e a deu para um de seus servos chamado Ampuero, ele também admirava a beleza da dama e ficou muito feliz com sua nova esposa.
A tristeza da princesa não acabou por aí, as crônicas revelam que além dela ser considerada um objeto de posse ela erra muito maltratada pelo seu novo esposo e para se livrar deste infortuno procurou uma feitiçeira inca, a princesa pediu que a feiticeira realizasse um ritual que fizesse o seu marido parar de maltrata-la. Após algum tempo Quispe percebeu que o feitiço não fazia efeito então de alguma forma o marido percebeu a trama e castigou terrivelmente a princesa e a feiticeira. Quispe foi perdoada e teve que viver até os fins de seus dias sendo maltratada pelo esposo, mas a feiticeira não escapou da inquisição e teve seu corpo queimado em praça pública enquanto o esposo se tornou o maior “encomendero” da cidade possuindo grandes riquezas.
Observe um outro poema que revela a situação de uma jovem presa por adultério:
Cântico da donzela infiel, presa ao cadafalso*
Ó pai condor, agarra-me,
Irmão falcão, arrebata-me,
Anuncia-me à minha mãezinha.
Há já cinco dias
Que eu não como,
Que não bebo.
Pai, mensageiro,
Detentor dos sinais, mensageiro veloz,
Leva-me, leva a minha boca, o meu coraçãozinho,
Anuncia-me ao meu pai e à minha mãe.

Essas crônicas nos revelam um pouco sobre a real situação da mulher no mundo inca e no processo de conquista, muitas vezes acreditamos que a América era um cenário perfeito e algumas lendas nos fazem pensar que as civilizações antigas possuíam uma sociedade justa e igualitária, a verdade é que assim como as demais regiões do mundo o ser humano era falho e incapaz de construir uma visão harmônica com tudo que está ao seu redor.
Observar outras culturas e civilizações e ver sua relação com o mundo nos faz refletir como a humanidade se desenvolve de forma complexa, muitos problemas se repetem por todo o mundo como se estivéssemos em um linha evolutiva, enquanto em algumas civilizações parece que tudo ocorre de forma diferente, não que exista uma forma única de evolução, mas é importante pensar que o desenvolvimento para algo mais justo e igualitário só ocorrerá quando entendemos o que é a justiça e a igualdade que buscamos e para tanto o melhor caminho é a emancipação através do conhecimento, eis a importância de analisar e compreender as culturas que nos cercam, eis a importância da História.



Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes
                                                                                                                

(*Poema publicado por Huaman Poma de Ayala, século XVII- pós-colonial)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Quem Chegou Primeiro? O Elmo, as Âncoras ou a Coroa?

12 de outubro de 1492 é uma data que marcante para a História mundial, a chegada de Colombo no continente americano gera uma mudança política, econômica, social e cultural em todo o planeta, mas alguns dados históricos podem e devem ser questionados, os primeiros europeus a colocarem os pés na América não foram os espanhóis, provavelmente foram os Vikings ou até mesmo os chineses.
Desconsiderando as chegadas pré-históricas, que também causam grande conflito, acredita-se que por volta do século XI um grupo de desbravadores, saqueadores e exploradores Vikings chegaram a região do Canadá, lá construíram três casas, oficinas e fornos para iniciarem um processo de colonização, o local foi descoberto em 1960 na costa leste do Canadá e por mais que a informação foi disseminada para o povo, já fizeram até um filme sobre o tema “os desbravadores”, muitos ainda atribuem a Colombo o titulo de primeiro europeu a pisar na América.
Estudos comprovam que os vikings passaram cerca de vinte anos na região que chamaram de “vinland”, traduzindo a “terra do vinho”, pois ela tinha um clima agradável e muito verde. Muitas lendas registraram esta etapa da história viking só que foram tratadas como mito até a descoberta do assentamento em questão. Na época a noticia teve pouco impacto e o fato acabou se perdendo no tempo.
Uma lenda Viking que retrata o fato, revela a personalidade de uma jovem que enfrentou os “skraeling” (homens feios na língua nórdica, que seriam os nativos), segundo o conto ao avistar uma tribo de nativos a jovem pegou uma espada e correu em direção a eles com o objetivo de afugentá-los, no entanto a moça estava grávida e deixou ainda um dos seus seios a mostra para causar um impacto nos nativos, quando eles viram uma mulher grávida de pele branca com uma arma afiada e semblante feroz resolveram fugir, com razão visto que esses dados combinados eram demais para a cultura dos primitivos americanos.
Estes contos nos fornecem pistas sobre o objetivo dos vikings ao exploram essas terras, o próprio nome deles já diz muito, “viks” é o nome que se da às expedições de assalto, eles ganharam este nome por serem famosos em realizar rápidas invasões e saques nos povos vizinhos. É desconhecido o motivo que os fez falhar na conquista da América, possivelmente uma resistência nativa e o pequeno apoio que receberam, pois não tinham a coroa ao lado deles, provavelmente os líderes não quiseram investir no desbravamento desse território, apenas saqueá-lo como era o costume. Vale lembrar que a coroa portuguesa também desacreditou nas rotas que Colombo queria fazer, apenas a Espanha resolveu investir neste novo empreendimento.
Outro dado interessante que coloca abaixo a primazia da conquista espanhola é que os chineses também deram uma visitada neste paraíso americano, um navegador chamado Zheng He em 1421 chegou a Ilha Bimini nas Bahamas, ele fez uma breve passagem e deixou alguns vestígios de sua expedição, no fundo do oceano atlântico foram encontradas algumas ancoras de pedra de origem chinesa, as mesmas que Zheng He utilizava em seus navios. Poucas pessoas conhecem esse fato porque ainda não existem provas suficientes dessa expedição, os chineses eram ótimos navegadores e conseguiram chegar com certeza em regiões da África e após isso se aventuraram no oceano atlântico e tudo indica que chegaram na América pouco antes de Colombo. A existência de alguns mapas chineses da época que retratam a América e das ancoras de pedra no fundo do oceano são as maiores provas de que essa expedição é real.
Desta forma podemos entender que a chegada dos espanhóis em 1492 foi na verdade a tentativa mais bem-sucedida de conquista e não uma “descoberta”, muitos povos sabiam da existência da América só que não tiveram a capacidade de colonizá-la, o próprio Colombo teve acesso a diversas lendas, inclusive a dos Vikings e utilizou todos os dados para encontrar o paraíso, então conhecido com a terra do deus Breasal, o deus do prazer retirado de lendas celtas e gregas.

Nas escolas esta informação raramente é divulgada, mesmo sendo um fato cientificamente provado, algo que tem grande relevância para nossa cultura, pois não sabemos o quanto os vikings avançaram na América, vinte anos era o suficiente para chegarem até mesmo na América do sul. Muitas informações sobre homens barbudos que viajavam pelo mar são encontradas nas lendas dos povos nativos da América e os nórdicos podem ser a base para compreendermos o surgimento delas. Existe uma segunda teoria que cogita a possibilidade de antes mesmo dos vikings os egípcios terem chegado em nosso continente durante suas navegações, fato que ainda não pode ser totalmente provado, mas nos mostra o quanto nossa América é repleta de mistérios e fatos históricos espertando para ser descobertos ou divulgados e essa é a grande jornada dos profissionais que dedicam suas vidas a investigação desse grandioso e misterioso mundo.



Um Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert
Jonatan Tostes