domingo, 31 de julho de 2016

O Uso de Drogas e Substâncias Alucinógenas na América Antiga.

Atualmente nosso mundo civilizado sofre constantemente com os problemas que as drogas lícitas e ilícitas trazem para a sociedade, a cada dia famílias sofrem perdas e a violência aumenta devido o uso inadequado de substancias químicas que alteram o comportamento do ser humano, mas a utilização dessas substâncias não é algo novo, as civilizações antigas da América já utilizavam alucinógenos para alterar seu estado mental, no entanto no mundo antigo, na maior parte das vezes, existia um sentido espiritual muito amplo para o uso dessas substancias, elas eram utilizadas como um acessório ritualístico que permitiria uma conexão com o mundo espiritual.
Os maias, por exemplo, tinham o costume de realizar profecias e o responsável por elas eram os sacerdotes conhecidos como Xamãs-adivinhos, eles faziam uma viagem espiritual após inalarem vapores alucinógenos e das visões que tinham é que faziam as profecias, para eles os alucinógenos permitiam que a mente humana fosse capaz de se comunicar com o sagrado.
Em Remojadas, Vera Cruz no México, arqueólogos descobriram algumas estatuetas com uma fisionomia engraçada, as imagens demostravam garotos com um estranho sorriso e braços levantados, elas representam possivelmente vítimas de sacrifícios que eram drogadas antes dos rituais para que encarassem o ato com tranquilidade, uma forma de enfrentar um ritual complexo, porém os relatos descreviam que o sacrificado ingeria a substancia voluntariamente e não de forma forçada, tendo em vista que, na maior parte dos casos, o sacrifício era um processo cultural nas sociedades mesoamericanas.
Já na América do Sul algumas provas destes costumes também foram encontradas, em Tiwanaku arqueólogos acharam utensílios para administrar alucinógenos que eram aspirados pelo nariz, alguns monólitos possuem nas mãos esses instrumentos que eram vistos como materiais necessários para realizar a ritualística, demostrando como as substancias alucinógenas tinham uma função bem específica para esses povos. Após o uso destas substancias muitas visões eram descritas e dai surgiam lendas, profecias e até mesmo obras de arte que demostravam monstros com três olhos e criaturas com duas cabeças compondo assim um imaginário causado pela alteração da razão devido ao uso de materiais psicotrópicos.
Porém nem todas as substancias utilizadas possuíam o objetivo de alterar a capacidade de discernimento ou se conectar com o mundo espiritual, um exemplo clássico disso é a folha de coca utilizada na América Andina. No princípio ela era usada em rituais pelos nobres Incas que haviam obtido por intermédio de alguns mercadores que a forneciam como um presente dos deuses, o povo em geral só tinha acesso a planta em momentos especiais, ritualísticos e situações particulares, mas com o tempo o acesso a ela foi se popularizando e a planta se tornou algo imprescindível na vida do povo Inca.
 A folha da coca reduzia o cansaço, o efeito da fome, sede, sono e dava mais energia para o trabalho, tanto que uma lenda surgiu para explicar sua origem, Khana Chuyma era um guardião do tesouro do deus sol e quando os espanhóis chegaram e submeteram o povo Inca, ele teve de esconder o tesouro dos colonizadores jogando ele dentro do lago Titicaca, mas os espanhóis capturaram o Inca e o torturaram para que revela-se a localização do artefato, Khana Chuyma bravamente resistiu sem dizer uma palavra. Perto de sua morte a lenda conta que o próprio deus sol veio lhe falar, o deus permitiu que o Khana Chuyma fizesse um pedido, e este pediu para que os invasores fossem expulsos dos Andes, mas este pedido não poderia ser realizado pelo deus, visto que o deus dos espanhóis tinha derrotado o deus sol, por este motivo foi oferecido ao Inca uma planta mágica que iria dar força para os Incas e amenizar a dor causada pela dominação espanhola, a planta aliviaria o sofrimento e daria vitalidade ao povo Inca, mas para os espanhóis ela seria o princípio de conflitos.
Através desta lenda vemos o quanto à folha de coca foi significativa para o povo Inca, e atualmente ainda está fortemente presente na cultura dos povos andinos. Existe uma justificativa biológica para seu uso, ela possibilita o fortalecimento da respiração que é dificultada pelo ar rarefeito, a altitude que chega a cerca de 4000 metros faz com que seja quase impossível viver naquela região sem uma planta que auxilia o cérebro e os pulmões na respiração e que além disso fornece energia para enfrentar aquele relevo severo.
 Acreditando na lenda ou não devemos ver a planta como um tesouro que brotou na terra dos incas e contribuiu para o florescimento e resistência deste grandioso povo. Vale ressaltar que a Folha pura não produz nenhum efeito alucinógeno e é utilizada amplamente, assim como o café no Brasil, pelos povos nativos e por visitantes na América Andina.
A utilização de drogas entre os Maias, Incas e Astecas possuía diversas particularidades, mas o foco era alcanças o mundo sagrado, por este motivo não existe registros significativos de que elas geravam problemas sociais.
Um Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert
Jonatan Tostes  

Para saber mais sobre: Figura sorridente. Cultura Remojadas. Vera Cruz. México. Secs. VII-VIII.
"Os chamados Figuras de sorriso da região de Veracruz são Remojadas muitas vezes consideradas como expressões de humor mesoamericana. Estas esculturas cerâmicas ocas são pensados ​​por muitos para ser associado a um deus da dança, música e alegria. Outra interpretação convincente, no entanto, relaciona-os com um culto de pulque, uma bebida intoxicante feita a partir da seiva fermentada da planta agave. Os rostos animados, bochechas inchadas, inchados e salientes línguas são considerados como evidência de intoxicação. Os números podem representar participantes do ritual, ou mesmo vítimas sacrificiais. A sobrevivência de muitas mais cabeças do que corpos sorridentes Remojadas sugerir a alguns uma possível decapitação cerimonial e destruição dos corpos. Esta figura de peito nu, com a boca aberta e dentes arquivados, se as pernas abertas e energicamente Com os braços levantados como se travado no meio do movimento. O manto da celebrante está consistem em uma circular brincos, colar de contas e pulseira para juntamente com uma tanga decorada com padrões lateralmente simétricas. Em seu ollin cap são símbolos, um sinal para o movimento. Esta escultura evoca uma dança festiva ou ritual Acompanhado pela reverberação rítmica do chocalho de mão e som comemorativo escapar da boca aberta da figura "(The Metropolitan Museum of Art: http://www.metmuseum.org/toah/works- da-arte / 1979.206.1211).


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Canibalismo e Sacrifícios Humanos, Uma Questão de Cultura.

Diversas vezes ouvimos histórias violentas e sanguinárias associadas aos povos indígenas, como se fossem bárbaros que desprezavam a vida ou que tinham prazer em fazer coisas abomináveis para nós, um exemplo disso é a prática do canibalismo. Grande parte das histórias sobre a barbárie atribuída ao indígena envolve os nativos americanos, histórias geralmente são carregadas de preconceitos e fazem muitas pessoas enxergarem a América pré-colombiana como um continente mergulhado na selvageria, mas será que devemos ter esse olhar sobre nossos nativos, ou ao vê-los assim estamos sendo parciais assim como seriam eles se nos conceituassem apenas pelo que viram no processo de conquista da América, como se fossemos dizimadores de povos.
 Sabemos é claro que nem todos os nativos praticavam o canibalismo, mas qual será a ligação deste ato com os habitantes originais de nosso continente?
Quando Colombo partiu rumo ao desconhecido possuía um imaginário repleto de seres e criaturas horripilantes que poderiam habitar o Oceano Atlântico e ao desembarcar nas Antilhas em 1492 se deparou com povos pacíficos, uma tribo chamada Arahuacos, por acreditar que tinha realizado o percurso planejado e descoberto uma nova rota para a Índia chamou equivocadamente os habitantes daquelas terras de “índios”, uma falha que repetimos até hoje. A ilha das Bahamas que os espanhóis desembarcaram estava repleta de Arahuacos, alguns andavam nus e outros com algumas penas para enfeitar o corpo, eles receberam os espanhóis com muito receio e curiosidade pena que após alguns anos poucos sobreviveram, grande parte da tribo foi dizimada pelas doenças que os espanhóis transmitiram neste primeiro contato.
     Por mais que os Arahuacos fossem pacíficos eles só conseguiram dominar aquela região após terem expulsado outras tribos do local, e além delas existiam muitas outras tentando se apossar daquele território, uma delas era conhecida como os “Caribes”, uma tribo hostil perita na arte da guerra, eles eram temidos por comerem seus inimigos e casarem com as mulheres da tribo vencida. Neste cenário que Colombo e seus navegantes desembarcaram e foram à procura de riquezas. No diário de Colombo é descrito que a distinção entre os Caribes e os Aharuacos era fácil, os primeiros são ferozes e os segundos submissos, logo da palavra “caribe” é que da origem ao nome “canibal”, uma tradução literal desse nome seria povo ousado ou audaz, esse nome se propagou e devido estes povos serem canibais, algo que deixava os espanhóis aterrorizados, acabou virando uma forma comum de rotular essa prática.
O canibalismo assombrava muito os colonizadores, pois era uma prática nada comum na Europa, no mundo grego existiam mitos e lendas que falavam desta prática, mas estar em um mundo desconhecido cercado por nativos que a realizavam constantemente era algo preocupante.  É muito difícil analisar qual era o verdadeiro papel do canibalismo naquele povo, com certeza não era apenas para provocar uma espécie de terrorismo, temos de levar em consideração questões religiosas, mas devido à falta de documentos e pesquisa dificilmente conseguiremos uma abordagem profunda sobre isto, uma teoria é que todo inimigo devorado agregava suas forças ao vencedor, ou seja, cometer o canibalismo era uma forma de conseguir mais poder, algo muito útil durante um processo de dominação.
Uma outra teoria que amplia a noção desse costume é o canibalismo como um processo ritualístico, dando origem ao termo antropofagismo, os antropófagos, traduzindo: aqueles que tem fome de homens, seriam os que cometem uma espécie de canibalismo com motivos mais específicos e não apenas para alimentação. Esse caso aparece aqui no Brasil com os índios Tupinambás e também os Tamoios, especialistas afirmam que eles realizavam o canibalismo com outra finalidade, para esses nativos os inimigos eram consumidos como uma forma de vingança, uma maneira de submete-los ao poder dos vencedores, mas sem o objetivo de fazer proveito biológico de sua carne, algo que seria entendido como antropofagia, uma forma de se vingar através de um ritual que envolvia a prática canibal. Observe a seguinte citação que confirma o fato:

“Não é que eles encontrem tantas delícias em comer dessa carne humana e que seu apetite sensual os leve a tais pratos. Por que eu me lembro de ter escutado deles mesmo que, após tê-la comido, eles algumas vezes são forçados a vomitá-la, seu estomago não sendo capaz de digeri-la... O Fazem para satisfazer a raiva, mais que diabólica, que tem de seus inimigos. ”  - D’ABBEVILLE, Claude.

Muitos especialistas estudam essa prática e possuem diversas abordagens sobre o assunto que aqui foi tratado de forma bem resumida, mas que é extremamente amplo e complexo pois se trata de uma cultura que deixou pouquíssimos vestígios ou fontes históricas que poderiam possibilitar sua total compreensão, uma boa indicação para compreender o assunto é a obra O Canibal de Frank Lestringant. Mas o objetivo do artigo é conseguir demostrar que as práticas, muitas vezes consideradas abomináveis, vão muito além de um simples ato de selvageria e revelam a cultura de um povo e doo nosso continente.
Outro exemplo que demoniza os povos indígenas são as práticas ritualísticas que envolvem sacrifício, geralmente pensamos que se trata de um ato bárbaro e totalmente cruel, mas se mergulharmos na cultura pré-colombiana talvez possamos tentar compreender o porquê uma cena dessas era realizada frequentemente no mundo Asteca e Maia.
Na América pré-colombiana, principalmente entre os Astecas e os Maias, o sacrifício humano era uma prática religiosa muito comum, eles acreditavam que os deuses se alimentavam dos homens, assim como os homens se alimentam dos animais e vegetais, por este motivo o sangue era algo precioso para os deuses e os rituais de sacrifício eram necessários para poderem viver em paz e obterem prosperidade.
Para conseguirmos entender como uma prática tão agressiva era algo comum devemos em primeiro lugar conhecer o conceito de morte para estas civilizações, no caso dos Maias a morte era algo muito importante, uma morte honrada concederia uma oportunidade de ressurreição e de gratificação divina, já uma morte por causas naturais ou acidentais não dariam estas recompensas. Os astecas tinham uma visão semelhante, entendiam a vida carnal como uma curta passagem diante da possibilidade de renascer pela morte, mas além disso, acreditavam que os sacrifícios deveriam estar presentes em todos os acontecimentos importantes como rituais, inaugurações (de cidades e de templos) e outros marcos, a morte era uma forma de agradar os deuses, alimentá-los para que eles abençoassem o novo feito.
  Se considerarmos estes fatores chegaremos mais próximos de compreender os sacrifícios que estas civilizações realizavam, outro fator importante é a questão do alimento divino, em vida nós ganhamos diversas coisas dos deuses e para que isto continue temos de dar algo em troca “sangue por sangue”, seguindo este pensamento muitos soberanos Maias e Astecas realizavam sangrias, perfurações corporais com o objetivo de retirar sangue do corpo e com ele alimentar os deuses, a população assistia os rituais e entendia que os soberanos se sacrificavam para que os deuses fornecessem fartas colheitas. Este ato acalmava a população e nutria a fé do povo, um dos motivos da queda de muitos governantes Maias foram os períodos de seca em que as colheitas não eram satisfatórias, a população acreditava que os soberanos não estavam agradando os deuses e isto acabava em revoltas populares.
  Olhar os pré-colombianos sem entender o motivo pelo qual eles realizavam os sacrifícios e identificá-los como uma civilização selvagem é um erro, devemos antes disto procurar entender os motivos que os levavam a realizar tais práticas, muitas coisas que fazemos atualmente com naturalidade podem vir a ser consideradas uma barbaridade no futuro, tudo vai depender das descobertas e da cultura que estiver vigente naquele contexto.
Quando os Maias pensavam na morte eles percebiam o quanto devem se superar em vida, a morte poderia chegar a qualquer momento e por este motivo tinham de estar preparados para ela, a cada dia temos uma oportunidade de vencer todas as coisas que nos impedem de se sentirmos realizados ou de nos superarmos enquanto seres humanos e pensar em nosso tempo de vida é estar atento e disposto para realizar estas transformações.
O sacrifício animal era uma prática religiosa muito utilizada antigamente, mas com o tempo algumas religiões pararam de praticá-la, tanto pela evolução das leis de proteção aos animais quanto pela própria filosofia da religião que se altera conforme os contextos históricos, logo nos tempos antigos e atualmente ele não deve ser visto como algo errado, apenas como algo que atendia, e atende, a determinadas necessidades culturais, isso ocorre constantemente na história, as vezes algumas práticas são abandonados ou modificadas de acordo cm o tempo em que vivemos.
A história nos possibilita analisar essas práticas de uma forma mais ampla, não apenas observa-las como um ato cruel, mas conseguir entender o vínculo cultural existente nelas e trabalhar essa questão em nossas vidas para que ela possibilite nossa evolução e emancipação pelo conhecimento.

Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

                                                                                                                   Jonatan Tostes 


quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Corpo e a Arte na América Antiga

“A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.” 
― Vladimir Maiakovski

O ser humano utiliza um extenso repertório de símbolos para se expressar através de uma linguagem artística: vestimentas, tatuagens, pinturas, piercings e escarnificações são os exemplos mais comuns de métodos e formas utilizadas nesse processo. Atualmente muitas dessas práticas foram mantidas e demostram o quanto herdamos culturalmente traços culturais antigos, mas será que os significados são mantidos? Será que os motivos são os mesmos ou semelhantes?
Um exemplo desse processo são as tatuagens, essa arte tem um histórico milenar e até o momento não foi possível descobrir qual povo iniciou a prática, mas com certeza é possível interpretar o significado que deram a ela. A palavra tatuagem deriva do verbo “Ta tau” de origem samoana (As ilhas de Samoa situam-se no sul do Oceano Pacífico, entre o Havai e a Nova Zelândia), ela faz menção a técnica que era usada para penetrar a tinta na pele, para os moradores dessa ilha a tatuagem era como um totem, estabelecendo uma relação simbólica de proteção e também de afinidade com o desenho em questão que poderia identificar aquela pessoa perante os demais, unindo ela a um grupo ou distinguindo ela dos outros clãs. Era uma forma de identificação personalissíma ou grupal, normalmente o símbolo ficava em partes de fácil vizualização, no caso masculino era realizado nas costas, mas as vezes fugia da regra, no feminino por exemplo, geralmente atrás do joelho.
Por mais que a palavra seja de origem samoana, muitas outras culturas utilizaram em épocas remostas esse recurso, as mumuias do Egito já utilizavam tatuagens e nos Alpes Austríacos foi achado um homem da idade do bronze com 57 tatuagens, seu corpo estava preservado no gelo e a crença local dizia que os desenhos estavam associados a rituais de cura. Dessa forma vemos que os desenhos possuíam significados diferentes, mas uma função muito semelhante, criar através de um símbolo algo que existia apenas no campo da intenção, ou seja, materializar sentimentos e conceitos.
Outro costume curioso são as escarnificações, cicatrizes ritualisticas muito utilizada por povos indígenas para demostrar quem eram os mais bravos guerreiros ou para simboliozar a passagem para vida adulta. Novamente essas marcas possuiam um significado muito intímo e ligado ao grupo, normalmente pela ausência de outras maneiras de produzir uma diferenciação social, uma identidade que marcaria a pessoa em questão e possibilitaria que o mesmo fosse reconhecido perante os demais.
Uma prova disso são as perfurações, muito utilizadas pelas tribos nativas da América, os piercings e alargadores eram uma forma de demostrar ascensão e prestigio social. Algumas tribos Maias e Astecas faziam perfurações em rituais e deixavam o sangue escorrer pela terra, pois o mesmo alimentava os deuses segundo sua crença.
Os indígenas brasileiros retratam este assunto com a lenda de “Kamukuaká”, uma criatura divina que era muito famoso entre os nativos do Mato Grosso, de acordo com a lenda o Kamukuaká não possuía umbigo devido não ter sido gerado apenas ter vindo de um lugar desconhecido e para compensar este fato ele decidiu furar suas orelhas em uma grande festa.
A festa foi tão grandiosa que o sol ficou com inveja desta criatura, logo no meio da festa ele resolveu matá-la atirando-lhe flechas, mas como Kamukuaká era muito rápido ele desviou e as flechas furaram apenas suas orelhas, quando o povo viu a habilidade daquele ser ao se esquivar do próprio sol resolveram furar suas orelhas em homenagem a ele e até hoje os indígenas mato-grossenses realizam uma festa onde praticam uma cerimônia que lembra este episódio.
Com o tempo esses buracos começaram a ser preenchidos com joias e em pouco tempo os índios começaram a utilizar alargadores, é claro que o uso deles tinha um significado, na tribo Kayapó por exemplo, o Botoque (alargador colocado no lábio inferior) é uma forma de demostrar que a pessoa tem o dom da oratória e quando colocam um alargador na orelha é porque acreditam que os ouvidos se tornam mais receptivos com ele e logo a pessoa se tornará mais sabia.
Os incas também foram grandes utilizadores dos alargadores de orelha, seus alargadores eram inseridos apenas nas pessoas de grande prestigio social, por causa disto os espanhóis apelidaram os nativos superiores de “orejones” (orelhudos) devido ao tamanho das orelhas alargadas. Para os incas essa pratica possibilitaria a ampliação dos sentidos e a comunicação com o mundo sagrado.
Além destes costumes que algumas pessoas consideram mais agressivos também existiam formas de se expressar corporalmente sem envolver sangue, muitos povos nativos trabalhavam com pinturas corporais ou trajes coloridos para marcar rituais ou apenas criar alegorias para o cotidiano, a pintura de rena, por exemplo, já era praticada por mulheres a cerca de cinco mil anos atrás. Já as vestimentas são formas ainda mais sutis, porém não menos significativas, de diferenciação social e conexão com a espiritualidade, para os povos incas elas eram muito importantes, certa vez, Atahualpa, imperador Inca, ao ameaçar Pizarro, conquistador espanhol, pouco antes de ser levado para a prisão iria dizer com profundo ódio as seguintes palavras “Eu sei o que fizestes ao longo deste caminho. Tomastes as vestes dos templos, e eu não desancarei até que as devolva para mim! ”, estranho ouvir tal reclamação, visto que neste momento o mundo inca se encontrava em uma profunda guerra civil e os espanhóis estavam aprisionando o nobre Inca, as roupas deveriam ser a última coisa que um imperador se preocuparia, mas Atahualpa se referia as roupas sagradas do mundo Inca.
      Para os Incas as roupas tinham um valor fundamental, elas demonstravam a hierarquia social que o nobre ocupava, tendo o mesmo efeito das joias, ou seja, quanto mais nobre maior a complexidade da confecção de sua vestimenta, cores, formato e qualidade do tecido, os nobres usavam roupas chamadas “Cumbi”, elas eram feitas com fibras de camelídeos (Lhama, Alpaca, Guanaco ou Vicunha) por tecelões muito habilidosos. Em outras ocasiões as roupas tinham um valor sagrado, pois eram um objeto ritualístico, de acordo com a mudança da colheita ou estação do ano um tipo de roupa era usado para realizar o ritual de passagem de ciclo, de forma que existiam tecelões específicos para produzir a vestimenta de acordo com a ocasião ou ritual.  Isso pode ser constatado com a descoberta das múmias Incas em Paracas, elas estavam enroladas de mantos repletos de cores vivas e bordados zoomórficos, revelando a importância da vestimenta para os povos dos Andes, visto que os Incas herdaram esse costume das civilizações anteriores.
Tudo isso nos mostra como algumas praticas que consideramos novas e causam espanto para pessoas mais conservadoras são muito antigas em nosso mundo e faziam parte da cultura de diversos povos na antiguidade, a arte corporal é um costume sem fronteiras que vem sendo aprimorado e a cada dia gera mais adeptos que inovam seus conceitos dando novos valores a essa arte milenar. O Que realmente importa é que a pessoa esteja sincronizada com o tipo de arte escolhida e atrvés dela consiga atingir seus objetivos sejam artísticos ou espirituais, por este motivo vale utilizar a História para investigar as razões dos antigos em criar essas práticas e comparar com a atuliade para entendermos como funciona a evolução dessa rica forma de manifestação.
Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Cuzco, O Umbigo do Mundo

Ao ouvir a frase “A cidade da qual confluíam todos os caminhos” nos podemos achar que se trata de Roma, mas esta frase se refere à Cuzco “O Umbigo do mundo”. Roma exerceu um gigantesco domínio na Europa e a frase que demonstra o poder desta cidade surgiu por volta do século I d.C., quando Roma era vista como o Umbigo do mundo tendo cerca de 80 mil Km de estradas que poderiam conduzir seus cidadãos por grande parte da Europa, de forma que todos os caminhos acabavam cruzando com a cidade e eram dominados pelo império romano, esta situação deu origem a frase “todos os caminhos levam a Roma”, ou seja, é impossível escapar do Império Romano que se fazia presente na Europa.   
Uma frase semelhante surgiu no século XV, desta vez na América do Sul no império Tawantinsuyo, mais conhecido como império Inca. A capital deste império era Cuzco, que na língua local significa “umbigo do mundo”, semelhante a Roma ela era o centro administrativo e possuía também uma lenda de fundação, Cuzco foi fundada pelos primeiros Incas enviados pelo deus sol para civilizar o homem, o mito diz que o deus entregou a seu casal de filhos uma barra de ouro e deu ordem para que vagassem pelos Andes e em todo local que parassem tentassem cravá-la no solo, onde a barra afundasse com facilidade seria o local que a capital deveria surgir, pois lá era o “Umbigo do mundo”, séculos depois os Incas podiam afirmar que Cuzco era “a cidade da qual confluíam todos os caminhos”, já que ela era o centro do império.
Cuzco esta a cerca de 3.100 metros de altitude em um vale rodeado de montanhas, a cidade é divida em Hunan Cuzco (parte alta), hurin Cuzco (parte baixa) e uma bela praça quadrangular, desta saem quatro grandes caminhos que levavam para o restante do império a palavra tawantinsuyo significa exatamente “quatro partes”, ou seja, a totalidade do império. Hoje grande parte dos templos de Cusco estão destruídos devido a guerra civil e a conquista que aconteceram no século XVI, mas a cidade abriga ainda muitos mistérios que atrai pesquisadores de todo mundo.  
Um deles é o templo das virgens do sol, o acllahuaci “casa das escolhidas” um local que abrigava cerca de 1500 mulheres virgens dedicadas ao deus inti-viracocha, essas moças eram escolhidas pelos nobres e retiradas de seu lar com oito anos, no decorrer de sua estadia no templo elas ficavam trabalhando com tecidos e artesanato, não de uma forma escrava e sim como um passa tempo e como uma forma de dedicar suas vidas ao deus sol, os cronistas contam que elas não tinham contato com homens, pois deveriam ser possuídas pelo próprio deus sol, logo viviam uma vida repleta de rituais e abundancia já que eram as esposas do Inti.
Outra curiosidade era o engenhoso sistema de comunicação e transporte, as cidades eram ligadas por gigantescas estradas muito bem alinhadas e organizadas, elas chegavam a possuir 1.600 Km de extensão e ligavam a Cuzco e a outras regiões, como Quito outra cidade de grande importância para o povo.
As crônicas espanholas relatam que as estradas eram extremamente limpas, pois o ato de tropeçar era um sinal de mal pressagio e por isto eram muito cautelosos nas estradas, os incas viajavam e transportavam diversas mercadorias por elas e quando acontecia algum imprevisto elas serviam para conduzir mensagens. Para a transmissão de mensagens os Incas usavam as Chucla, nome dado a pequenas casas construídas na beira da estrada onde viviam os mensageiros denominados Chasquis que eram treinados para serem velocistas, pois as mensagens eram levadas de forma oral até o imperador.
Estes mensageiros ficavam sempre em alerta e quando surgia uma mensagem eles saiam correndo até a próxima Chucla e sem parar de correr o outro mensageiro acompanhava o primeiro até ouvir toda a mensagem e entende-la, só então continuava o percurso até a próxima chula onde um novo mensageiro faria o mesmo até a mensagem chegar em seu destino, eles não perdiam nem um segundo apenas corriam.
Muitas vezes estes homens eram interceptados por traidores, mas mesmo assim este era o meio de comunicação mais usado, os mensageiros chegavam a percorrer setecentos quilômetros em três dias e para a época isto era algo muito satisfatório. Quando a mensagem era mais simples, algo como uma invasão ou motim, os incas utilizavam sinais de fumaça e pela noite alguns sinais luminosos com tochas altas como faróis.
Esta cidade possui diversas outras curiosidades e engenhosidades que a tornavam a Roma da América do Sul o que nos mostra o grau de complexidade cultural que foi alcançado nos Andes, o propósito do artigo não é apenas comparar duas grandes cidades com a intenção de rivalizar a cultura americana com a europeia, mas sim demonstrar mais uma vez,  como eram grandiosa as civilizações que possuíamos antes da conquista e que elas não deixavam nada a perder para as demais civilizações do mundo.
Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes

sábado, 23 de julho de 2016

O Papel da mulher no mundo Inca

Nossa América é famosa por possuir a maior floresta do mundo, a Amazonas, um fato curioso é que este nome foi dado pelo explorador espanhol Francisco de Orellana, ele se baseou em mitos gregos que falavam da existência de mulheres guerreiras que amputavam os próprios seios para serem mais rápidas em combate e no manejo do arco, por este motivo ganhavam o nome “Amazona” que em grego significa “Sem seios”, quando Francisco de Orellana viu as belas mulheres do amazonas e foi surpreendido por algumas que belas e habilidosas guerreiras, então decidiu batizar o lugar com este nome.
No entanto por mais que este explorador viu a fúria da mulher na Floresta Amazônica e em outras tribos e clãs espalhados pelo continente, o que ocorria com a mulher no restante da América do Sul, mais precisamente no maior império da América antiga não uma plena igualdade de gênero, mas persistia nas terras incas o machismo. Dados apontam para uma descrição de uma sociedade muito preconceituosa e pesquisadores demostram que os Incas não davam espaço para as mulheres atuarem como cidadãs, existem muitas lendas que demostram uma figura romântica e importante da mulher, mas a sociedade inca impunha a ela o papel de mantenedora do lar e responsável por gerar e cuidar dos filhos até que eles iniciassem seu treinamento militar.
As mulheres que possuíam sangue Inca eram mantidas como esposas do Imperador, o Inca tinha o costume de casar-se com suas irmãs, sobrinhas, e primas para manter o sangue puro, pois eles acreditavam que dois irmãos filhos do sol deram origem a civilização inca e para que a pureza do sangue divino fosse mantida eles faziam casamentos entre irmãos. Mesmo assim o Imperador possuía um grande harém onde colocava diversas mulheres de tribos conquistadas, geralmente as filhas dos caciques para garantir também um domínio sobre a raça que acabara de conquistar, uma espécie de poligamia estratégica. Aquelas que não eram utilizadas para serviços sexuais se dedicavam ao mundo espiritual realizando rituais, essas mulheres que viviam perto a nobreza eram chamadas de Mamaconas.
O Seguinte poema reflete um pequeno relato de aflição das jovens que se sentiam condenadas a uma vida sem sentido devido a opressão da cultura machista e do valor que davam a mulher na sociedade:
“Nasci de uma flor do campo
Como uma flor, fui cultivada em minha juventude
Atingi a idade máxima, envelheci
Agora vou murchar e morrer”
                                  (Poema de memória das mulheres dos Incas)
Esse relato, por mais que parcial e colhido de forma oral e depois transcrito na época da colonização, demostra um pouco do sentimento de jovens que fossem submetidas a esse processo, por mais que culturalmente muitas poderiam aceita-lo, havia rejeições.
A maior fonte que possuímos para tratar essa questão são relatos dos padres que colonizaram e catequizaram a região junto a alguns indícios materiais e contos como o demostrado acima, mas todos eles indicam que a mulher não ocupava uma posição social análoga a masculina e por mais que fosse respeitada não era uma sociedade igualitária. No entanto havia uma grande semelhança entre as classes mais baixas em relação as funções, no trabalho do campo ambos os sexos tinham grande semelhança e realizavam praticamente as mesmas funções, resguardado o período de gravidez e amamentação da mulher, já o ensino era destinado apenas a elite e de acordo com as funções que iriam exercer.
Uma crônica que demostra esses dados é a da princesa Quispe Sisa, ela vivia em Cajamarca e compunha o harém do imperador já que era meia-irmã do Atahualpa, mas com a invasão de Pizarro e a morte de Atahualpa a moça foi batizada pelos espanhóis e ganhou o nome de Dona Inés. Pizarro ficou apaixonado pela beleza da princesa decidiu fazer dela sua esposa, ela deu à luz a dois filhos Francisca Pizarro e Gonzalo Pizarro, mesmo assim como o espanhol estava em constante combate ele resolveu se livrar da princesa e a deu para um de seus servos chamado Ampuero, ele também admirava a beleza da dama e ficou muito feliz com sua nova esposa.
A tristeza da princesa não acabou por aí, as crônicas revelam que além dela ser considerada um objeto de posse ela erra muito maltratada pelo seu novo esposo e para se livrar deste infortuno procurou uma feitiçeira inca, a princesa pediu que a feiticeira realizasse um ritual que fizesse o seu marido parar de maltrata-la. Após algum tempo Quispe percebeu que o feitiço não fazia efeito então de alguma forma o marido percebeu a trama e castigou terrivelmente a princesa e a feiticeira. Quispe foi perdoada e teve que viver até os fins de seus dias sendo maltratada pelo esposo, mas a feiticeira não escapou da inquisição e teve seu corpo queimado em praça pública enquanto o esposo se tornou o maior “encomendero” da cidade possuindo grandes riquezas.
Observe um outro poema que revela a situação de uma jovem presa por adultério:
Cântico da donzela infiel, presa ao cadafalso*
Ó pai condor, agarra-me,
Irmão falcão, arrebata-me,
Anuncia-me à minha mãezinha.
Há já cinco dias
Que eu não como,
Que não bebo.
Pai, mensageiro,
Detentor dos sinais, mensageiro veloz,
Leva-me, leva a minha boca, o meu coraçãozinho,
Anuncia-me ao meu pai e à minha mãe.

Essas crônicas nos revelam um pouco sobre a real situação da mulher no mundo inca e no processo de conquista, muitas vezes acreditamos que a América era um cenário perfeito e algumas lendas nos fazem pensar que as civilizações antigas possuíam uma sociedade justa e igualitária, a verdade é que assim como as demais regiões do mundo o ser humano era falho e incapaz de construir uma visão harmônica com tudo que está ao seu redor.
Observar outras culturas e civilizações e ver sua relação com o mundo nos faz refletir como a humanidade se desenvolve de forma complexa, muitos problemas se repetem por todo o mundo como se estivéssemos em um linha evolutiva, enquanto em algumas civilizações parece que tudo ocorre de forma diferente, não que exista uma forma única de evolução, mas é importante pensar que o desenvolvimento para algo mais justo e igualitário só ocorrerá quando entendemos o que é a justiça e a igualdade que buscamos e para tanto o melhor caminho é a emancipação através do conhecimento, eis a importância de analisar e compreender as culturas que nos cercam, eis a importância da História.



Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

Jonatan Tostes
                                                                                                                

(*Poema publicado por Huaman Poma de Ayala, século XVII- pós-colonial)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Quem Chegou Primeiro? O Elmo, as Âncoras ou a Coroa?

12 de outubro de 1492 é uma data que marcante para a História mundial, a chegada de Colombo no continente americano gera uma mudança política, econômica, social e cultural em todo o planeta, mas alguns dados históricos podem e devem ser questionados, os primeiros europeus a colocarem os pés na América não foram os espanhóis, provavelmente foram os Vikings ou até mesmo os chineses.
Desconsiderando as chegadas pré-históricas, que também causam grande conflito, acredita-se que por volta do século XI um grupo de desbravadores, saqueadores e exploradores Vikings chegaram a região do Canadá, lá construíram três casas, oficinas e fornos para iniciarem um processo de colonização, o local foi descoberto em 1960 na costa leste do Canadá e por mais que a informação foi disseminada para o povo, já fizeram até um filme sobre o tema “os desbravadores”, muitos ainda atribuem a Colombo o titulo de primeiro europeu a pisar na América.
Estudos comprovam que os vikings passaram cerca de vinte anos na região que chamaram de “vinland”, traduzindo a “terra do vinho”, pois ela tinha um clima agradável e muito verde. Muitas lendas registraram esta etapa da história viking só que foram tratadas como mito até a descoberta do assentamento em questão. Na época a noticia teve pouco impacto e o fato acabou se perdendo no tempo.
Uma lenda Viking que retrata o fato, revela a personalidade de uma jovem que enfrentou os “skraeling” (homens feios na língua nórdica, que seriam os nativos), segundo o conto ao avistar uma tribo de nativos a jovem pegou uma espada e correu em direção a eles com o objetivo de afugentá-los, no entanto a moça estava grávida e deixou ainda um dos seus seios a mostra para causar um impacto nos nativos, quando eles viram uma mulher grávida de pele branca com uma arma afiada e semblante feroz resolveram fugir, com razão visto que esses dados combinados eram demais para a cultura dos primitivos americanos.
Estes contos nos fornecem pistas sobre o objetivo dos vikings ao exploram essas terras, o próprio nome deles já diz muito, “viks” é o nome que se da às expedições de assalto, eles ganharam este nome por serem famosos em realizar rápidas invasões e saques nos povos vizinhos. É desconhecido o motivo que os fez falhar na conquista da América, possivelmente uma resistência nativa e o pequeno apoio que receberam, pois não tinham a coroa ao lado deles, provavelmente os líderes não quiseram investir no desbravamento desse território, apenas saqueá-lo como era o costume. Vale lembrar que a coroa portuguesa também desacreditou nas rotas que Colombo queria fazer, apenas a Espanha resolveu investir neste novo empreendimento.
Outro dado interessante que coloca abaixo a primazia da conquista espanhola é que os chineses também deram uma visitada neste paraíso americano, um navegador chamado Zheng He em 1421 chegou a Ilha Bimini nas Bahamas, ele fez uma breve passagem e deixou alguns vestígios de sua expedição, no fundo do oceano atlântico foram encontradas algumas ancoras de pedra de origem chinesa, as mesmas que Zheng He utilizava em seus navios. Poucas pessoas conhecem esse fato porque ainda não existem provas suficientes dessa expedição, os chineses eram ótimos navegadores e conseguiram chegar com certeza em regiões da África e após isso se aventuraram no oceano atlântico e tudo indica que chegaram na América pouco antes de Colombo. A existência de alguns mapas chineses da época que retratam a América e das ancoras de pedra no fundo do oceano são as maiores provas de que essa expedição é real.
Desta forma podemos entender que a chegada dos espanhóis em 1492 foi na verdade a tentativa mais bem-sucedida de conquista e não uma “descoberta”, muitos povos sabiam da existência da América só que não tiveram a capacidade de colonizá-la, o próprio Colombo teve acesso a diversas lendas, inclusive a dos Vikings e utilizou todos os dados para encontrar o paraíso, então conhecido com a terra do deus Breasal, o deus do prazer retirado de lendas celtas e gregas.

Nas escolas esta informação raramente é divulgada, mesmo sendo um fato cientificamente provado, algo que tem grande relevância para nossa cultura, pois não sabemos o quanto os vikings avançaram na América, vinte anos era o suficiente para chegarem até mesmo na América do sul. Muitas informações sobre homens barbudos que viajavam pelo mar são encontradas nas lendas dos povos nativos da América e os nórdicos podem ser a base para compreendermos o surgimento delas. Existe uma segunda teoria que cogita a possibilidade de antes mesmo dos vikings os egípcios terem chegado em nosso continente durante suas navegações, fato que ainda não pode ser totalmente provado, mas nos mostra o quanto nossa América é repleta de mistérios e fatos históricos espertando para ser descobertos ou divulgados e essa é a grande jornada dos profissionais que dedicam suas vidas a investigação desse grandioso e misterioso mundo.



Um Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert
Jonatan Tostes

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Marcelo Lambert, a força do mental.

O que define um ser humano é a sua capacidade de ser humano, mas além disso existe uma capacidade que supera essa primeira, a de tornar os outros mais humanos, a de transformar as pessoas através do conhecimento os conduzindo a emancipação, essa é a capacidade do Historiador, escritor e palestrante Marcelo Lambert.
Desde a infância Lambert buscou construir conhecimento para si e para o próximo, e por este motivo escolheu a carreira de professor, pois ela permitiria que ele tivesse a possibilidade, assim como o dever, de democratizar o conhecimento. Conforme sua carreira progredia cada vez maior era o alcance de suas palavras e de seus estudos, logo teve início uma nova fase, as palestras, não tão diferente das aulas, mas eram um veículo que possibilitavam disseminar conhecimentos de vários temas para um público específico capaz de usufruir desse conhecimento e passa-lo adiante tornando o mundo um lugar melhor, mais humanizado.
Nesse caminho Lambert se deparou com variados temas que atendiam diversas necessidades, mas um deles merece grande atenção. “A Força do Mental”, todos sabemos que nossas vidas são reflexo de nosso querer e que temos a capacidade de moldar nossa própria realidade, mas existem fatores adversos que nos frustram e inibem essa capacidade, porém essas adversidades podem ser dribladas ou atenuadas através de nossa capacidade de entende-las e projeta-las de uma forma que se adequem a nossa realidade e não ao contrário, essa habilidade de se auto liderar e construir um caminho livre e seguro para alcançar nossas metas é adquirida quando compreendemos a força que existe em nosso mental, em nós que somos reflexo dele.
Venha conhecer os mistérios que abrigam nossas capacidades e como podemos utilizar o conhecimento para nos tornar mais humanos e humanizar o próximo, conheça “A Força do Mentalcom Marcelo Lambert.

Grande Abraço

Jonatan Tostes 

domingo, 17 de julho de 2016

Intihuatana, A Rocha Capaz de segurar o sol.

Já imaginou o que aconteceria se a Terra saísse da orbita do Sol?

Pode parecer um pensamento estranho para nós hoje, mas muitos devem se perguntar: Por que a Terra fica presa ao Sol? Como sempre as respostas mais técnicas são fornecidas pelas teorias científicas e instituições de pesquisa como o INPE, por exemplo, diria que “O Sistema Solar e toda a nossa Galáxia foram formados pela condensação de uma nuvem de gás em rotação. A conservação do momento angular faz com que os corpos formados a partir do gás inicial continuem em rotação. Como as forças de fricção, entre outras, são muito pequenas no espaço, os corpos em rotação, incluindo a Terra, possuem movimentos estáveis por longos períodos de tempo. As órbitas da Terra e demais corpos do sistema solar são definidas fundamentalmente pela atração gravitacional do Sol, que é predominante devido à sua grande massa, que concentra quase toda a massa do sistema solar. ” (Definição do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  Mas uma civilização que viveu na América andina há séculos atrás possuía uma teoria mais complexa e interessante para abordar essa questão gravitacional.
Muitos acreditavam que os Incas, assim como muitas civilizações antigas, entendiam que a Terra que estava parada e o sol que girava a sua volta, logo tinham medo de que nossa fonte de calor progenitora da vida se desprendesse da Terra e por este motivo construíram um monumento com a intenção de prender o Sol, chamado “Intihuatana”. Inti significa Sol e huatana vem da palavra huata, que quer dizer amarrar, prender, ou seja, Intihuatana seria um local capaz de segurar o Sol, ata-lo ou ancora-lo a Terra. No entanto com a expedição “Observador em terras latinas” e o contato com pesquisadores do tema, nós tivemos a oportunidade de ampliar nossos conhecimentos sobre essa misteriosa obra andina que fica em Machu Picchu.
Para os Incas o Sol era o próprio deus, Inti-Viracocha (olha ai o pré-fixo de novo) Esse deus fertilizou a terra e enviou seus filhos (Manco Capac e Mama Ocllo) para civilizar o mundo e promover a prosperidade do império Inca, logo o Sol não iria embora assim tão facilmente para ter de ser amarrado. Ocorre que os Incas eram grandes astrônomos e possuíam um elevado conhecimento do comportamento dos astros, o céu era a bíblia deles, quando queriam saber os anseios dos deuses miravam o céu e contemplavam o movimento dos planetas e das estrelas. Muitos acreditam que essa civilização já tinha conhecimento do heliocentrismo, mas como não deixaram registros escritos essas informações não podem ser confirmadas, só que os registros materiais nos revelam um pouco sobre essas questões.
A grandiosidade do monumento em questão começa com sua relação entre os movimentos da Terra, quando ocorre um solstício ou equinócio é possível identificar alguns fenômenos na Intihuatana, alguns rituais eram feitos em datas específicas e a pedra funciona como um relógio solar, através dela os incas obtinham informações sobre as estações do ano, colheitas e também os movimentos da Terra e como todo o sítio arqueológico de Machu Picchu está erguido com base em coordenadas geográficas e coincide com fenômenos solares, acreditamos que a precisão de seus conhecimentos são frutos dessa rocha que está alinhada com diversas questões astronômicas.
Logo é possível compreender essa rocha de uma forma mais ampla, não como se ela segurasse fisicamente o sol, assim como nossa noção de campo gravitacional, mas como um ponto de contato, de comunicação com o Sol, uma rocha capaz de nós ligar a ele de permitir que possamos ler seus movimentos e partir em busca da compreensão dessa grandiosa energia da natureza que os Incas viam como sua maior divindade. A Intihuatana era utilizada para diversos rituais que visavam não deixar o Sol se afastar, mas não apenas fisicamente, também espiritualmente, era uma das formas de manifestar sua ligação com nossa gigante estrela que “continua a brilhar apesar de tanta barbaridade”.
Essa busca dos Incas demostra o quanto a religião estava vinculada em sua cultura, pois em uma cidade de pedra, no meio de uma gigantesca montanha, a cerca de 2500 metros de altitude uma civilização construiu um templo para cultuar o Sol e lembrar a todo o momento de sua importância e de como temos que nós esforçar para preserva-lo perto de nós, algo que nos faz refletir sobre a grandiosidade dessa civilização.
Acompanhe por aqui mais sobre nossa expedição em terras latinas e descubra os mistérios do mundo Andino.


Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert


Jonatan Tostes

quinta-feira, 14 de julho de 2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A Conquista de Tawantinsuyo, O Gigantesco Império Inca

Os incas construíram seu império através da guerra, a estrutura militar desta civilização é que permitiu o expansionismo em larga escala e para alcançar este grande poder bélico eles investiram fortemente no “exército” inca.
Os soldados eram guerreiros treinados e bem equipados, historiadores afirmam que o exército inca era o que detinha o maior poder bélico das civilizações pré-colombianas (Longhena,1999). Estes guerreiros possuíam um poderoso arsenal, machados, maças, dardos e escudos, para longas distancias utilizavam a Huaraca, uma funda, pois desprezavam o arco e flecha, acreditavam que ele era uma arma de selvagens da Amazônia.
Existiam também os soldados da reserva que eram simples trabalhadores convocados quando acontecia grandes guerras, mas isto gerava problemas para a economia Inca, pois como não possuíam treinamento o numero de mortos era grande e logo a produção entrava em crise. Por este motivo o exército permanente tinha que conseguir enfrentar a maior parte dos combates sozinho.
Uma demonstração desta habilidade guerreira dos Incas foi à arma que inventaram quando perceberam que os cavalos espanhóis estavam dando a vitória ao homem branco, eles produziram boleadeiras, três pedras atadas entre si com tendões de lhama, elas eram arremessadas nas patas dos cavalos e os derrubava para que os Incas atacassem.
Porém acima do treinamento bélico estava o treinamento para se tornar um imperador, o papel mais importante no império inca era ser o filho do sol, por este motivo as crianças que estavam sujeitas a ocupar esta posição tinham que passar por um grande treinamento e apenas aquele que se destacasse mostrando ter diversas habilidades assumia o trono.
O Império inca não levava em consideração apenas a questão do primogênito na hora de escolher o novo imperador, eles avaliavam todo o desenvolvimento dos filhos que o imperador possuía para decidir quem deveria se tornar o novo regente. O imperador devia sempre se casar com sua irmã para seguir a tradição de Manco Capac e manter o sangue da família real puro, mas mesmo possuindo este sangue era necessário se mostrar inteligente, bravo e digno de ocupar a função.
Desde muito pequeno os jovens passavam por uma quantidade gigantesca de treinamentos que envolviam coisas simples e outras consideradas muito ousadas para nossa cultura. Os garotos estudavam a História Inca, aprendiam a escrever no quipu, geometria, astronomia e um intenso treinamento militar. O treinamento procurava medir a bravura dos candidatos então era muito comum a realização de provas onde se testava a capacidade de resistir ao sono, os garotos ficavam até três dias sem dormir, também existiam treinamentos de controle corporal onde era proibido se mexer durante uma grande quantidade de horas.
Outra prática curiosa era o teste de valentia, os candidatos eram ameaçados com lanças e tinham que ficar no local sem se mover, mesmo com elas bem próximas aos olhos deles ou então tinham que resistir sem gritar a ferimentos com bastões.  Também existiam atividades mais comuns como o famoso rouba bandeira, no mundo Inca essa brincadeira era praticada de forma seria para que os alunos aprendessem a conquistar o território vizinho ou se proteger de invasores, era muito comum saírem deste jogo com graves ferimentos de batalha.
Após todo este treinamento os sacerdotes escolhiam aqueles que eram mais valentes para serem candidatos ao trono do imperador e a opinião do atual filho do sol contava na decisão, mais não era um fator dominante. Por este motivo sempre que um imperador morria o mundo Inca entrava em caos e até que o novo sucessor assumisse o poder aconteciam muitas guerras internas.
Quando os jovens terminavam o treinamento eles eram consagrados guerreiros e participavam de um ritual que envolvia uma perfuração, com uma agulha de ouro eles tinham as orelhas perfuradas e inseriam pequenas peças de ouro no orifício que iam aumentando de acordo com o prestigio social, está pratica deu aos sacerdotes incas o apelido de “Orejones” (orelhudos) durante a conquista e marca a presença de alargadores na América.
Tudo isto nos mostra como a sociedade Inca era organizada e possuía grande critério para escolher seus líderes, não é à toa que os imperadores eram capazes de administrar um grandioso império que conquistou quase toda a América do sul, só que todas essas armas exércitos e treinamentos não foram suficientemente fortes para impedir a conquista espanhola, podemos acreditar que apenas a arma de fogo foi um fator decisivo para a conquista? Ou será que o contexto histórico é mais amplo que isso, com certeza um general é uma peça chave para solucionar esse mistério.
Conhecido por muitos como aquele que “descobriu” o Peru e levou a civilização aos povos bárbaros, ou odiado por todos que apreciavam a civilização inca e a viram ser destruída a mando deste homem, Francisco Pizarro, um herói desbravador e um tirano nefasto, Filho bastardo de uma mãe prostituta, abandonado nas escadarias da igreja de Trujillo, em Esttremadura, teria sido alimentado com leite de uma porca. Seu pai, Fidalgo de velha estripe e capitão dos tercios, teria aceitado reconhecê-lo. Ele o obrigou a cuidar dos porcos antes de mandá-lo aprender o oficio das armas na Itália, para que depois de formado fosse enviado para o novo mundo junto com outros grupos de homens semianalfabetos e com histórias semelhantes, desesperados por gloria e em busca de riquezas colonizassem a América.
É assim que os pesquisadores descrevem a trajetória do grande Pizarro que desbravou a floresta e encontrou os Incas, uma triste realidade e um passado cheio de magoas que Pizarro deixou para traz e ao pisar no novo mundo vez o que pode para honrar seu nome. Até que em novembro de 1524 seguindo relatos dos nativos dos Andes, em busca de “Pirú” uma terra repleta de ouro, encontrou um “Puerto de La Hambre” (porto da fome), onde após travar combates com os índios não achou riqueza nenhuma.
Após este fracasso teve que negociar com a coroa espanhola sua permanência e financiamento de novas explorações, depois de muito custo conseguindo uma nova oportunidade teve ainda de convencer seus homens de acompanhá-lo, com as seguintes palavras “Companheiros! De um lado desta linha estão a morte, as lutas, a fome, as privações e as tempestades, mas também o caminho que leva ao Pirú e suas riquezas. De um outro lado a facilidade, mas também o caminho do Panamá e da pobreza. Escolham bons homens de Castilha!” (CLAUDE,1976) , para o azar dos Incas eles escolheram ir com Pizarro em busca do Pirú.
Após uma longa viagem estes exploradores chegaram ao porto de Tumbez e fizeram contato com o povo inca, na chamada Terra de Pirú, e em uma segunda investida descobrem as riquezas da região, então iniciaram uma trama para conseguir se comunicar com os governantes e conseguir conquistar o local através de alianças, já que estavam em menor número.
Logo os boatos se espalharam e profecias eram ditas pelos sacerdotes “homens brancos barbados senhores do relâmpago, montados em animais com patas de prata vindos das águas onde Viracocha desapareceu” uma descrição fidedigna das lendas incas à época da chegada de Pizarro e suas tropas. Segundo o relato dos mais antigos anciãos o maior dos presságios ocorrera na festa do Sol, um ritual que é praticado anualmente pelos incas, de acordo com os relatos um condor foi abatido por um grupo de falcões no meio da Praça de Cuzco, o que revelava a queda do império tendo em vista que o Condor era uma ave símbolo dos Incas. Após isto a lua surgiu ao céu, mas de uma forma estranha ela estava como eles descreviam em “Halo triplo, o primeiro cor de sangue, o segundo um preto-esverdeado e o terceiro parecido com uma fumaça” os sacerdotes leram então que haveria um grande derramamento de sangue e o império iria se acabar.
Após todos estes sinais o Huayna Capac ficou terrivelmente doente e faleceu, deixando o Império para seus filhos que disputariam o poder, antes de morrer cronistas diziam que suas últimas palavras foram “Nosso pai, o sol, revelou-me que após o reinado dos doze incas, seus filhos, aparecera nesse país uma espécie de homens que nos são desconhecidos e que devem dominar nossos Estados. Eles pertencem sem dúvida ao povo daqueles que vieram outrora do mar... Estejam certos que estes estrangeiros chegaram a este país e cumpriram a profecia!”.
Pizzarro retornou para a Espanha em busca de verbas, ele possuía a intenção de conseguir apoio para poder realmente desbravar aquelas terras desconhecidas, por isto deixou alguns homens no porto de Tumbez e foi para sua pátria buscar reforços.
Sua chegada foi vista por muitos como o retorno de um herói, trazia consigo amostras da terra recém descoberta Lhamas, cerâmicas, taças de metal e tecidos finos para seduzir as damas. Após um longo período de permanência e tentativas frustradas de obter aprovação do rei para subsidiar a nova expedição, Pizarro teve que esperar e só conseguiu capital para retornar ao Pirú pelas mãos da rainha enquanto o rei estava viajando a negócios, confirmando que os presentes que trouxera não foram em vão, rapidamente ajuntou tudo o que precisava para a viagem e levou consigo seus irmãos e outros aventureiros para conquistarem de vez a nova terra.
Depois de uma longa viagem chegaram ao solo andino em setembro de 1532, porém este já não era mais tão amigável como da última vez, uma guerra civil causada pela briga ao trono tinha destruído grande parte do mundo Inca, dois irmãos disputavam para comandar o império, Huascar e Atahuallpa.
Como Pizarro retornou em um mau momento teve que proceder com cautela, mas há anos os novos imperadores sabiam da presença dos espanhóis, Atauhuallpa pensava que Pizarro e seus companheiros eram mensageiros do deus Inti-viracocha que vieram “trazer vingança divina e bater os coveiros criminosos do império, os traidores do quito que renegaram as tradições e se entregaram a caciques mal saídos da barbárie” (CLAUDE, pag.22). Por este motivo as grandes bestas (cavalos) que os espanhóis montavam e as armas com barulho de trovão poderiam significar uma grande ameaça. Mas mesmo assim o Inca decidiu convidar Pizarro para um encontro onde ele decidiria se os espanhóis eram uma ameaça ou apenas invasores que deveriam ser esmagados pelo grandioso exército inca.
Os dois irmãos brigavam pelo trono, Huascar o filho legitimo do imperador e Atahualpa o bastardo, mas ambos tinham a mesma possibilidade de assumir o poder, visto que a nobreza era quem elegia o sucessor avaliando além da primogenitura seus méritos, capacidades e “favorecimentos que poderia trazer”. Enquanto o conflito não obtinha um vencedor o império ficou dividido em duas capitais, Quito sobre o poder de Atahualpa e Cusco sobre controle de Huascar.
Pizarro por sua vez estava a tramar como poderia se beneficiar da situação e quando foi convidado pelo poderoso Atahualpa para um encontro de negócios já tinha planejado como vencer a disputa. Os povos submetidos ao poder dos Incas estavam descontentes com os altos impostos cobrados para financiar a guerra e também com as mortes causadas na disputa ao trono, sem falar nos sacrifícios infantis que Atahualpa exigia para rituais de proteção a sua saúde, com tudo isto ocorrendo os espanhóis eram vistos pelos povos dominados como uma possível forma de libertação
 O encontro de Pizarro e Atahualpa foi muito amigável no primeiro momento, o Inca ofereceu chicha ao espanhol, uma bebida de milho fermentado servida em grandes jarras de ouro, Pizarro compartilhou com o Inca a Bíblia sagrada dizendo que dali vinha o poder que ele tinha e sua missão de “salvar o novo mundo”, mas Atahualpa a rejeitou fazendo descaso. No dia seguinte os espanhóis aprisionaram o Inca e aniquilaram seu exército, sob o pretexto de terem rejeitado a palavra divina. Atahualpa ficou preso por um tempo enquanto o mundo Inca entrava em profunda crise, só conseguiu negociar sua liberdade oferecendo um grande tesouro para Pizarro, uma sala repleta de ouro, os espanhóis aceitaram e libertaram o Inca visto que ele já não exercia mais o mesmo poder sobre o povo e seu exército estava dissipado.
Quanto a Huascar, este teve menos sorte, fora morto por seguidores de Atahualpa deixando o império Inca sem líder, logo os espanhóis arquitetaram um novo plano e colocaram um irmão de Atahualpa no trono, apenas para servir de “monarca-fantoche” seu nome era Manco Inca. Mas os espanhóis se enganaram ao achar que tinham o império inca na mão, várias guerras civis pipocaram na região e o “monarca-fantoche” reuniu exércitos para expulsarem os espanhóis dos Andes.
Em 1541 Pizarro e muitos outros capitães foram assassinados pelos rebeldes, para Pizzaro este foi o fim, morto pelas mãos das facções que se formaram na guerra civil que ele alimentara. Mas as guerras não acabaram com sua morte, pelo contrário, muitas guerras continuaram e os espanhóis tiveram que lutar constantemente com todas as gerações de Manco Inca até conseguirem controlar ou destruir tawuantinsuyo e o dividir em vices reinos para colonização, um processo longo e repleto de revoltas que caminharam por toda História andina até a chegada das independências no século XIX.
Tudo isso nos ajuda a compreender como foi a queda desse grandioso império e visualizar que não foi simplesmente uma destruição gerada por um punhado de homens brancos, muito menos que o império teve fim, pois ele continua vivo e enraizado em toda a cultura andina.


Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert

                                                                                                  Jonatan Tostes