domingo, 17 de julho de 2016

Intihuatana, A Rocha Capaz de segurar o sol.

Já imaginou o que aconteceria se a Terra saísse da orbita do Sol?

Pode parecer um pensamento estranho para nós hoje, mas muitos devem se perguntar: Por que a Terra fica presa ao Sol? Como sempre as respostas mais técnicas são fornecidas pelas teorias científicas e instituições de pesquisa como o INPE, por exemplo, diria que “O Sistema Solar e toda a nossa Galáxia foram formados pela condensação de uma nuvem de gás em rotação. A conservação do momento angular faz com que os corpos formados a partir do gás inicial continuem em rotação. Como as forças de fricção, entre outras, são muito pequenas no espaço, os corpos em rotação, incluindo a Terra, possuem movimentos estáveis por longos períodos de tempo. As órbitas da Terra e demais corpos do sistema solar são definidas fundamentalmente pela atração gravitacional do Sol, que é predominante devido à sua grande massa, que concentra quase toda a massa do sistema solar. ” (Definição do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  Mas uma civilização que viveu na América andina há séculos atrás possuía uma teoria mais complexa e interessante para abordar essa questão gravitacional.
Muitos acreditavam que os Incas, assim como muitas civilizações antigas, entendiam que a Terra que estava parada e o sol que girava a sua volta, logo tinham medo de que nossa fonte de calor progenitora da vida se desprendesse da Terra e por este motivo construíram um monumento com a intenção de prender o Sol, chamado “Intihuatana”. Inti significa Sol e huatana vem da palavra huata, que quer dizer amarrar, prender, ou seja, Intihuatana seria um local capaz de segurar o Sol, ata-lo ou ancora-lo a Terra. No entanto com a expedição “Observador em terras latinas” e o contato com pesquisadores do tema, nós tivemos a oportunidade de ampliar nossos conhecimentos sobre essa misteriosa obra andina que fica em Machu Picchu.
Para os Incas o Sol era o próprio deus, Inti-Viracocha (olha ai o pré-fixo de novo) Esse deus fertilizou a terra e enviou seus filhos (Manco Capac e Mama Ocllo) para civilizar o mundo e promover a prosperidade do império Inca, logo o Sol não iria embora assim tão facilmente para ter de ser amarrado. Ocorre que os Incas eram grandes astrônomos e possuíam um elevado conhecimento do comportamento dos astros, o céu era a bíblia deles, quando queriam saber os anseios dos deuses miravam o céu e contemplavam o movimento dos planetas e das estrelas. Muitos acreditam que essa civilização já tinha conhecimento do heliocentrismo, mas como não deixaram registros escritos essas informações não podem ser confirmadas, só que os registros materiais nos revelam um pouco sobre essas questões.
A grandiosidade do monumento em questão começa com sua relação entre os movimentos da Terra, quando ocorre um solstício ou equinócio é possível identificar alguns fenômenos na Intihuatana, alguns rituais eram feitos em datas específicas e a pedra funciona como um relógio solar, através dela os incas obtinham informações sobre as estações do ano, colheitas e também os movimentos da Terra e como todo o sítio arqueológico de Machu Picchu está erguido com base em coordenadas geográficas e coincide com fenômenos solares, acreditamos que a precisão de seus conhecimentos são frutos dessa rocha que está alinhada com diversas questões astronômicas.
Logo é possível compreender essa rocha de uma forma mais ampla, não como se ela segurasse fisicamente o sol, assim como nossa noção de campo gravitacional, mas como um ponto de contato, de comunicação com o Sol, uma rocha capaz de nós ligar a ele de permitir que possamos ler seus movimentos e partir em busca da compreensão dessa grandiosa energia da natureza que os Incas viam como sua maior divindade. A Intihuatana era utilizada para diversos rituais que visavam não deixar o Sol se afastar, mas não apenas fisicamente, também espiritualmente, era uma das formas de manifestar sua ligação com nossa gigante estrela que “continua a brilhar apesar de tanta barbaridade”.
Essa busca dos Incas demostra o quanto a religião estava vinculada em sua cultura, pois em uma cidade de pedra, no meio de uma gigantesca montanha, a cerca de 2500 metros de altitude uma civilização construiu um templo para cultuar o Sol e lembrar a todo o momento de sua importância e de como temos que nós esforçar para preserva-lo perto de nós, algo que nos faz refletir sobre a grandiosidade dessa civilização.
Acompanhe por aqui mais sobre nossa expedição em terras latinas e descubra os mistérios do mundo Andino.


Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert


Jonatan Tostes

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