terça-feira, 5 de julho de 2016

O expansionismo inca, hegemonia e aculturação.

O famoso império Inca denominado Tawantinsuyo, que significa o império das quatro regiões em quéchua, quando estava em seu auge se estendia do norte ao sul das cordilheiras (4mil km), a oeste fazia limite com o oceano Pacífico e a leste se prolongava até as barreias que o separavam das tribos Amazônicas. A população atingia cerca de 10 milhões de habitantes com diversas etnias que foram se forjando com o tempo, compondo assim um gigantesco império, mas nada disso existiria se os incas não possuíssem uma mente colonizadora e expansionista, assim como os espanhóis que os dominaram mais tarde, mas muitos desconhecem essa capacidade de conquista do povo inca.
Os Incas procuraram civilizar as populações indígenas que estavam “mergulhadas na barbárie” (FAVRE, 1972), mal sabiam que os espanhóis o considerariam na mesma situação. A civilização inca era contra o canibalismo realizado pelos povos que habitavam as florestas em torno ao lago Titicaca e alegavam ser sua missão ensinar aos povos bárbaros a arte da vida civilizada, o cultivo do milho e os prazeres de viver em paz com o próximo, pois eles viam a guerra para a conquista um preço a ser pago para obter um império unificado e humanizado.
Segundo a lenda inca os primeiros colonizadores foram Mama Ocllo e Manco Capac, eles ensinaram os povos a seguir o deus sol e os costumes civilizados, mas depois deles outros imperadores surgiram com grande fome de conquista e deram continuidade a expansão territorial, um exemplo nítido é o imperador Pachacuti. Seu verdadeiro nome era Cusi Yunpanqui, que significa “O salvador da terra”, um homem que foi capaz de expandir de forma inigualável o tawantinsuyo ou, de acordo com alguns pesquisadores, de cria-lo.
 Na tradição inca o trono é hereditário e os imperadores descendem do próprio deus-sol (Inti-Viracocha), logo a cada geração estes filhos do sol governam Tahuantinsuyo e buscam prosperidade para o povo, a nona dinastia se deu em 1438 quando Cusi Yunpanqui assumiu o poder, seu governo foi prospero e junto a seus filhos e irmãos iniciou uma campanha expansionista que dominou as margens do lago Titicaca, a costa meridional, a cidade de cajamarca e até mesmo a região de quito (atual Equador).
Todas essas conquistas deram ao imperador o título de Pachacuti “Aquele que muda o rumo da Terra”, afinal seu governo foi o responsável pelo auge do império inca que resistiu até a chegada dos espanhóis quando seu neto estava no poder, Huaina Cápac, este presenciou a guerra civil e a conquista espanhola. Pachacuti ficou famoso não apenas por suas grandes conquistas, mas também pelo modo que agia para obtê-las, para nossos padrões culturais ele era uma pessoa muito cruel, seus inimigos eram punidos com algo que ia além da morte.
O objetivo de Pachacuti ao expandir o império era ensinar-lhes o cultivo do milho e os prazeres de viver em paz com o próximo, pois ele acreditava que só devia fazer a guerra para alcançar a plena paz ela era um preço a ser pago para obter um império unificado. Mesmo assim essas guerras tinham consequências terríveis “Os chefes inimigos vencidos eram trazidos para a capital com suas armas e seus ídolos para serem lançados aos pés do imperador... eram depois decapitados, fazendo-se vasilhames de bebida com seus crânios, flautas com seus ossos, colares com seus dentes e tambores com suas peles” (FAVRE, 1972), com medidas radicais como essa que esse líder deixou o império inca gigantesco e passou o legado para seu filho  Túpac Yupanqui, que assim que subiu ao trono dominou o sul dos Andes (correspondem atualmente a parte do Chile e Argentina).
Durante o reinado de Tupac Yapanqui (século XV) os incas estavam no auge de suas conquistas territoriais e este imperador decidiu buscar riquezas em outros povos para expandir os domínios dos filhos do sol. Yapanqui mandou construir quatrocentos barcos semelhantes a balsas e recrutou 20 mil homens para realizar uma expedição pelo oceano pacífico, que segundo relatos orais e alguns artefatos teve grande sucesso.
 As provas da chegada dos Incas na Oceania são artefatos de ouro e prata e um trono de cobre que batem com a cultura local e também uma mandíbula de um animal parecido com o cavalo que não existia na América naquele período, além de relatos de prisioneiros negros que foram escravizados pelo Inca, porem eles não tiveram a oportunidade de gerar filhos no continente, pois para os Incas a pureza do sangue era algo inquestionável então não temos dados da possibilidade de mestiços.
 Está teoria é aceita por muitos pesquisadores, entre eles F.W. Cristian que descreve como os nativos da Oceania afirmam a chegada dos viajantes americanos “existe uma tradição de um chefe chamado Tupa, um homem vermelho, que veio do leste, com uma frota de embarcações desconhecidas em forma de jangadas” sendo uma das provas orais da presença dos Incas na Oceania, pois toda a descrição bate com as características da expedição de Tupac chamado por eles de “Tupa”. Outra tese científica que auxilia esse entendimento é da arqueóloga Niède Guidon, essa pesquisadora acredita que o caminho da polinésia teria sido utilizado para a chegada do ser humano na América antes mesmo do caminho consolidado pela ciência, o estreito de Bering, logo seria bem possível os incas terem feiro o caminho contrário milhares de anos depois e com um tecnologia superior.
A expedição de Tupac Yupanqui é um grande mistério da história e nos ajuda a refletir o potencial expansionista da civilização, abrindo espaço para a compreensão da metalidade e cultura que atua nesta magnifica civilização.
É interessante notar que a ideia de processo civilizatório está inserida em diversas culturas, a necessidade demográfica de expansão é algo universal que caracteriza a raça humana, sempre que um império cresce é entendido pelos seus comandantes que as nações vizinhas devem ser inseridas na cultura dos conquistadores de forma hegemônica, possuímos diversos dados de contatos entre civilizações primitivas que cruzaram os continentes em busca sempre de explorar o outro e não de compreendê-lo, um fato que devemos procurar refletir para que a humanidade caminhe para emancipação.
É claro que a intenção de revelar estas coisas, não é demostrar que os incas mereceram ser mortos pelos espanhóis, pois provaram da mesma moeda, e sim mostrar que a construção de um império tem seu custo e compreender as verdadeiras essências da mentalidade incaica. Muitas vezes olhamos para as civilizações pré-colombianas e imaginamos que eles viviam em igualdade, num mundo perfeito em harmonia, e o homem branco trousse toda a desgraça. Devemos ter em mente que o homem faz coisas terríveis assim como coisas belas, no caso dos incas seu império foi construído através do sucesso que obtiveram nas guerras e da forma como conquistaram os demais povos, essa conquista teve diversas consequências para os povos que habitavam na região.
Como historiador meu papel é sempre entender os acontecimentos do passado para transformar o futuro e acredito que ao olharmos para a sede de expansão dos Incas ou dos espanhóis, do homem, devemos sempre tomá-las como lição, este não é o caminho para a paz, ao invés disso precisamos procurar formas de aceitar o outro e conviver harmonicamente com ele para que as civilizações futuras possam olhar para o passado e ver uma grande civilização construída por grandes pessoas.
Equipe MARCELO LAMBERT
www.marcelolambert.com

Um grande abraço
Jonatan Tostes
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