domingo, 31 de julho de 2016

O Uso de Drogas e Substâncias Alucinógenas na América Antiga.

Atualmente nosso mundo civilizado sofre constantemente com os problemas que as drogas lícitas e ilícitas trazem para a sociedade, a cada dia famílias sofrem perdas e a violência aumenta devido o uso inadequado de substancias químicas que alteram o comportamento do ser humano, mas a utilização dessas substâncias não é algo novo, as civilizações antigas da América já utilizavam alucinógenos para alterar seu estado mental, no entanto no mundo antigo, na maior parte das vezes, existia um sentido espiritual muito amplo para o uso dessas substancias, elas eram utilizadas como um acessório ritualístico que permitiria uma conexão com o mundo espiritual.
Os maias, por exemplo, tinham o costume de realizar profecias e o responsável por elas eram os sacerdotes conhecidos como Xamãs-adivinhos, eles faziam uma viagem espiritual após inalarem vapores alucinógenos e das visões que tinham é que faziam as profecias, para eles os alucinógenos permitiam que a mente humana fosse capaz de se comunicar com o sagrado.
Em Remojadas, Vera Cruz no México, arqueólogos descobriram algumas estatuetas com uma fisionomia engraçada, as imagens demostravam garotos com um estranho sorriso e braços levantados, elas representam possivelmente vítimas de sacrifícios que eram drogadas antes dos rituais para que encarassem o ato com tranquilidade, uma forma de enfrentar um ritual complexo, porém os relatos descreviam que o sacrificado ingeria a substancia voluntariamente e não de forma forçada, tendo em vista que, na maior parte dos casos, o sacrifício era um processo cultural nas sociedades mesoamericanas.
Já na América do Sul algumas provas destes costumes também foram encontradas, em Tiwanaku arqueólogos acharam utensílios para administrar alucinógenos que eram aspirados pelo nariz, alguns monólitos possuem nas mãos esses instrumentos que eram vistos como materiais necessários para realizar a ritualística, demostrando como as substancias alucinógenas tinham uma função bem específica para esses povos. Após o uso destas substancias muitas visões eram descritas e dai surgiam lendas, profecias e até mesmo obras de arte que demostravam monstros com três olhos e criaturas com duas cabeças compondo assim um imaginário causado pela alteração da razão devido ao uso de materiais psicotrópicos.
Porém nem todas as substancias utilizadas possuíam o objetivo de alterar a capacidade de discernimento ou se conectar com o mundo espiritual, um exemplo clássico disso é a folha de coca utilizada na América Andina. No princípio ela era usada em rituais pelos nobres Incas que haviam obtido por intermédio de alguns mercadores que a forneciam como um presente dos deuses, o povo em geral só tinha acesso a planta em momentos especiais, ritualísticos e situações particulares, mas com o tempo o acesso a ela foi se popularizando e a planta se tornou algo imprescindível na vida do povo Inca.
 A folha da coca reduzia o cansaço, o efeito da fome, sede, sono e dava mais energia para o trabalho, tanto que uma lenda surgiu para explicar sua origem, Khana Chuyma era um guardião do tesouro do deus sol e quando os espanhóis chegaram e submeteram o povo Inca, ele teve de esconder o tesouro dos colonizadores jogando ele dentro do lago Titicaca, mas os espanhóis capturaram o Inca e o torturaram para que revela-se a localização do artefato, Khana Chuyma bravamente resistiu sem dizer uma palavra. Perto de sua morte a lenda conta que o próprio deus sol veio lhe falar, o deus permitiu que o Khana Chuyma fizesse um pedido, e este pediu para que os invasores fossem expulsos dos Andes, mas este pedido não poderia ser realizado pelo deus, visto que o deus dos espanhóis tinha derrotado o deus sol, por este motivo foi oferecido ao Inca uma planta mágica que iria dar força para os Incas e amenizar a dor causada pela dominação espanhola, a planta aliviaria o sofrimento e daria vitalidade ao povo Inca, mas para os espanhóis ela seria o princípio de conflitos.
Através desta lenda vemos o quanto à folha de coca foi significativa para o povo Inca, e atualmente ainda está fortemente presente na cultura dos povos andinos. Existe uma justificativa biológica para seu uso, ela possibilita o fortalecimento da respiração que é dificultada pelo ar rarefeito, a altitude que chega a cerca de 4000 metros faz com que seja quase impossível viver naquela região sem uma planta que auxilia o cérebro e os pulmões na respiração e que além disso fornece energia para enfrentar aquele relevo severo.
 Acreditando na lenda ou não devemos ver a planta como um tesouro que brotou na terra dos incas e contribuiu para o florescimento e resistência deste grandioso povo. Vale ressaltar que a Folha pura não produz nenhum efeito alucinógeno e é utilizada amplamente, assim como o café no Brasil, pelos povos nativos e por visitantes na América Andina.
A utilização de drogas entre os Maias, Incas e Astecas possuía diversas particularidades, mas o foco era alcanças o mundo sagrado, por este motivo não existe registros significativos de que elas geravam problemas sociais.
Um Grande Abraço
Equipe Marcelo Lambert
Jonatan Tostes  

Para saber mais sobre: Figura sorridente. Cultura Remojadas. Vera Cruz. México. Secs. VII-VIII.
"Os chamados Figuras de sorriso da região de Veracruz são Remojadas muitas vezes consideradas como expressões de humor mesoamericana. Estas esculturas cerâmicas ocas são pensados ​​por muitos para ser associado a um deus da dança, música e alegria. Outra interpretação convincente, no entanto, relaciona-os com um culto de pulque, uma bebida intoxicante feita a partir da seiva fermentada da planta agave. Os rostos animados, bochechas inchadas, inchados e salientes línguas são considerados como evidência de intoxicação. Os números podem representar participantes do ritual, ou mesmo vítimas sacrificiais. A sobrevivência de muitas mais cabeças do que corpos sorridentes Remojadas sugerir a alguns uma possível decapitação cerimonial e destruição dos corpos. Esta figura de peito nu, com a boca aberta e dentes arquivados, se as pernas abertas e energicamente Com os braços levantados como se travado no meio do movimento. O manto da celebrante está consistem em uma circular brincos, colar de contas e pulseira para juntamente com uma tanga decorada com padrões lateralmente simétricas. Em seu ollin cap são símbolos, um sinal para o movimento. Esta escultura evoca uma dança festiva ou ritual Acompanhado pela reverberação rítmica do chocalho de mão e som comemorativo escapar da boca aberta da figura "(The Metropolitan Museum of Art: http://www.metmuseum.org/toah/works- da-arte / 1979.206.1211).


Um comentário:

  1. Desde que li Lévi Strauss pela primeira vez, me inclino a acreditar na sua teoria embora pretensiosa. Quanto ao xamanismo, Platão em seu mundo das idéias esta defendendo o que parece estar em todas as culturas. Pensando bem ele até estaria atrasado.

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